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	<title>National Geologic</title>
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		<title>National Geologic</title>
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		<title>Novidades</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 18:59:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Caros colegas, desculpe a ausencia durante este longo periodo mas, em breve teremos posts atualizados e novidades do mundo geológico!!!! Aguardem..<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=298&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros colegas, desculpe a ausencia durante este longo periodo mas, em breve teremos posts atualizados e novidades do mundo geológico!!!!</p>
<p>Aguardem..</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/natgeologic.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/natgeologic.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/natgeologic.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/natgeologic.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/natgeologic.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/natgeologic.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/natgeologic.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/natgeologic.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/natgeologic.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/natgeologic.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/natgeologic.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/natgeologic.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/natgeologic.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/natgeologic.wordpress.com/298/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=298&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nos Confins do Piauí!!!</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 17:30:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>talitaxoca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mineração]]></category>

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		<description><![CDATA[Retornando aos confins deste país, apresento-lhes Antônio Almeida, pequena cidade do interior do Piauí, próximo à divisa com o Maranhão. Partindo de Teresina, a única capital do nordeste que não tem mar, são 400 km de estrada predominantemente de terra (até os trechos que chamam de asfalto), até chegarmos a cidadezinha. Lá, ao contrário de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=270&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Retornando aos confins deste país, apresento-lhes<strong> Antônio Almeida</strong>, pequena cidade do interior do Piauí, próximo à divisa com o Maranhão.<br />
<img class="alignleft" title="O sol queimando meus miolos." src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/o-sol-queimando-meus-miolos1.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" />Partindo de Teresina, a única capital do nordeste que não tem mar, são 400 km de estrada predominantemente de terra (até os trechos que chamam de asfalto), até chegarmos a cidadezinha. Lá, ao contrário de Cabrobró, não existe um hotel razoável, ou se quer um hotel, o mais perto localiza-se em uma cidade a 60km, a famosa Uruçui. Famosa pois lá ocorrem as famosas &#8220;prainhas&#8221; de água doce, sendo um dos pontos turísticos mais visitados da região.</p>
<p>Nesta área, fui iniciar mais um trabalho de pesquisa geológica para calcário, só que desta vez, um calcário dolomítico, que em sua composição, predomina o carbonato de magnésio (MgCO3). Esta matéria prima é amplamente utilizada como corretivo de solos, ou seja, eles neutralizam a acidez dos solos e permitem o cultivo agrícola em áreas pouco férteis.</p>
<p>Como todo o sertão nordestino, ô lugarzinho quente. A primeira vez em que estive lá (pois é, fui mais de uma vez), achei que não ia suportar o calor que estava fazendo. Fiquei o dia inteiro tomando água e não consegui se quer ingerir um alimento, o que acabou me deixando alguns quilinhos mais magra&#8230;.<br />
Geologicamente falando, a região insere-se no contexto da Bacia do Parnaíba, uma das maiores bacias da região nordeste, que tem uma história sedimentar que vai desde o Siluriano (430milhões de anos) até o Cretáceo (65 milhões de anos).<img class="alignright" title="Casco de Elefante" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/mc_53.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p>Os calcários que fui procurar ocorrem normalmente em regiões com relevo suave que formam leves morrotes na paisagem, e são facilmente reconhecidos em campo por uma estrutura conhecida como &#8221;casco de elefante&#8221;.</p>
<p>Eu como sempre tinha 2 acompanhantes durante o trabalho de campo, o Cosme e o Damião, não eram os santos mas eram cunhados e muito gentis: carregavam a água, o item mais importante do trabalho, e as amostras, o segundo item de maior importância.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/damiao.jpg"><img class="alignleft" title="Damião" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/damiao.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p>Como mencionado anteriormente, a cidade de Antônio Almeida não tinha hotel, e o meu lar durante o período do trabalho foi a própria sede da empresa que contratou os serviços. Eles tinham um alojamento até que razoável com televisão, internet, telefone, ar condicionado, geladeira&#8230; enfim, a infra-estrutura era boa, o que estragava tudo, era o barulho das máquinas e caminhões trabalhando dia e noite&#8230;a noite inteira!!</p>
<p style="text-align:left;">Outro ponto crítico deste trabalho foi a alimentação. Nunca pensei que fosse ficar com nojo de comer alguma coisa, e olha que eu sou bem fominha, mas a maneira como a cozinheira e seu ajudante manipulavam as carnes que chegavam à sede da empresa, era terrivel&#8230;.o boi chegava praticaente inteiro e era cortado em uma mesa onde tudo se fazia (arrumava peça de motor de caminhão, cortava repolho, os gatos subiam) e depois tudo isso era jogado sem a menor proteção em um freezer comunitário.</p>
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;"><img class="alignright" title="Cosme" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/cosme.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" />Resultado: por 10 dias eu me alimentei de ovo frito, arroz, feijão (quando tinha) e macarrão sem molho.</p>
<p>Depois do 7 dia de trabalho e do primeiro domingo em um lugar sem ter absolutamente nada o que fazer, os dias passaram rapidamente. No final do período, o mapeamento geológico das áreas estava realizado e as amostras estavam coletadas, faltava apenas um detalhe: eu conseguir achar um tronco fossilizado para presentear meu namorado botânico.</p>
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;">Essa foi, depois de ter que enfrentar o sol, a tarefa mais difícil.  Nessa região ocorre uma formação geológica denominada Pedra de Fogo. Esta formação é famosa por conter diversos troncos de arvores fossilizados. Por toda a parte é possível encontrar bancos feitos de troncos e &#8220;pesos de papel&#8221; com mais de 65 milhões de anos.</p>
<p style="text-align:left;"><img class="alignleft" title="Comida Antonio Almeida" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/comida-antonio-almeida.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" />Para um simples morador local, esse pequeno adorno não significaria muita coisa, mas para mim, geóloga, esta seria uma preciosidade, e este foi o primeiro passo para conseguir ganhar um maravilhoso tronco, convencer um morador local a me dar um tronco de importância científica. O segundo passou foi prometer que eu voltaria&#8230;..e como de fato voltei, não por vontade própria, mas por necessidade!!! Apesar de tudo, o interior do Brasil fascina, seja por suas paisagens belas, seja pelas pessoas sofridas e sempre tão animadas, ou simplesmente pelo lindo por do sol&#8230;</p>
<p style="text-align:left;">Lembrem-se: da natureza nada se tira além de fotos&#8230;..no meu caso, a natureza já estava morta mesmo, ninguém iria se importar.</p>
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;">Observação: a comercialização de fósseis é ilegal no Brasil, nunca façam isso, a não ser que tenham uma autorização!! <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/paisagem-bonita.jpg"><img class="alignright" title="Por do sol em Antônio Almeida" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/paisagem-bonita.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/paisagem-bonita.jpg"><br />
</a></p>
<div class="mceTemp" style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/06/paisagem-bonita.jpg"><br />
</a></p>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/natgeologic.wordpress.com/270/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/natgeologic.wordpress.com/270/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/natgeologic.wordpress.com/270/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/natgeologic.wordpress.com/270/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/natgeologic.wordpress.com/270/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/natgeologic.wordpress.com/270/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/natgeologic.wordpress.com/270/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/natgeologic.wordpress.com/270/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/natgeologic.wordpress.com/270/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/natgeologic.wordpress.com/270/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/natgeologic.wordpress.com/270/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/natgeologic.wordpress.com/270/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/natgeologic.wordpress.com/270/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/natgeologic.wordpress.com/270/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=270&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 17:43:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rogeriobrandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Corinthiano, maloqueiro e sofredor, Rogério Brandi de Souza desde a super produção Jurassic Park nutria o desejo de ser paleontólogo e, quem sabe um dia, poder ter seu próprio dinossauro de estimação. Uma versão tupiniquim muito menos arteira do garoto Calvin, personagem de Bill Waterson, a pequena criança se encantava no colégio com termos como [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=266&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/campo-mapgeo-julho-037.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-268" title="Rogério Brandi de Souza" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/campo-mapgeo-julho-037.jpg?w=194&#038;h=258" alt="Lacraia" width="194" height="258" /></a>Corinthiano, maloqueiro e sofredor, Rogério Brandi de Souza desde a super produção Jurassic Park nutria o desejo de ser paleontólogo e, quem sabe um dia, poder ter seu próprio dinossauro de estimação. Uma versão tupiniquim muito menos arteira do garoto Calvin, personagem de Bill Waterson, a pequena criança se encantava no colégio com termos como &#8220;deriva continental&#8221; e &#8220;tectônica de placas&#8221;. Sem saber muito bem o universo onde estava se metendo, inscreveu-se no vestibular da Universidade de São Paulo para prestar para o curso de Ciências da Terra, vulgarmente conhecido como Geologia. Durante o curso, tal qual os nobres autores deste formidável blog, foi conhecendo um pouquinho mais sobre a estrutura interna desta grande bola achatada azul que habitamos, como foi formada, desenhada, redesenhada e, principalmente, como a natureza é bela. Dentre os ramos da Geologia, decidiu, como último recurso, desbravar o mundo do líquido negro do capitalismo: o petróleo. Hoje, trabalha no setor. Ao contrário de outros, não roubava pedras do colégio, não tinha medo de defuntos e nunca viu problema em trabalhar em escritórios. Como bom paulistano cosmopolita, nutre o sonho de que num futuro próximo, possa conciliar as maravilhas do mundo petroleiro com o privilégio de morar na capital paulistana.</p>
<p style="text-align:justify;">Em seu tempo livre, Lacraia, como é chamado no meio geológico uspeano, gosta de assistir, jogar e comentar futebol, além de cozinhar, ler, ouvir música, assistir filmes e viajar. Como planos futuros, pretende começar a escrever, pintar e cursar outra faculdade. Tudo isso, e muito mais, (quase) sempre acompanhada de sua fiel escudeira, Pisa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/natgeologic.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/natgeologic.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/natgeologic.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/natgeologic.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/natgeologic.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/natgeologic.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/natgeologic.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/natgeologic.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/natgeologic.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/natgeologic.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/natgeologic.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/natgeologic.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/natgeologic.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/natgeologic.wordpress.com/266/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=266&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Rogério Brandi de Souza</media:title>
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		<title>A Costa do Descobrimento</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 08:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>APBT</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Barreiras]]></category>
		<category><![CDATA[Coral]]></category>
		<category><![CDATA[Costa do Descobrimento]]></category>
		<category><![CDATA[Praia]]></category>

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		<description><![CDATA[Já que no último post comentei sobre a cerveja produzida em monastérios da idade média no velho mundo, pensei em escrever o que aconteceu após essa época e ainda acontece no novo mundo, onde existe muito sol e belas paisagens. Algumas fotos são da minha amiga Dea Morganti. Do ponto de vista histórico, a Costa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=201&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/igrejas2.jpg"></a>Já que no último post comentei sobre a cerveja produzida em monastérios da idade média no velho mundo, pensei em escrever o que aconteceu após essa época e ainda acontece no novo mundo, onde existe muito sol e belas paisagens. Algumas fotos são da minha amiga Dea Morganti.</p>
<p>Do ponto de vista histórico, a Costa do Descobrimento é o setor do litoral brasileiro que vai desde a foz do rio Jequitinhonha, até a foz do rio Peruípe, ou seja, do município de Belmonte até o limite sul do Estado da Bahia. Trecho onde aconteceu o “descobrimento do Brasil” na tarde de quarta-feira, dia 22 de abril de 1500.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/naus-e-portoseguro2.jpg"><img class="size-full wp-image-215" title="Naus e PortoSeguro" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/naus-e-portoseguro2.jpg?w=510&#038;h=220" alt="" width="510" height="220" /></a></div>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/naus-e-portoseguro.jpg"></a></p>
<p>Imaginem os portugueses chegando na Bahia em 1500, em meio a muito calor, mato, praias e índios. Depois de 510 anos, tirei uma folguinha e fui conferir algumas paisagens descritas na carta de Pero Vaz de Caminha. </p>
<p><em>“Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro&#8230;.Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas&#8230;.Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar quebrar na costa&#8230;Fomos assim de frecha direitos à praia&#8230;”</em></p>
<div class="mceTemp mceIEcenter"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/mar-avista2.jpg"></a><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/costa-descob.jpg"><img class="size-full wp-image-220" title="costa descobrimento" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/costa-descob.jpg?w=510&#038;h=289" alt="" width="510" height="289" /></a><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/mar-avista1.jpg"></a></div>
<p>Presentes ao longo da Costa do Descobrimento, as praias arenosas formam uma interface entre a terra e o mar. O mar é meio azul esverdeado (lindo), principalmente quando o sol está a pino.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/morfodinamicapraia-short.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-204" title="Tipos de praia (morfodinâmica) segundo Short." src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/morfodinamicapraia-short.jpg?w=172&#038;h=300" alt="" width="172" height="300" /></a></p>
<p>A maioria das praias apresenta caráter reflexivo, ou seja, são constituídas por areia grossa (&gt;0,4mm), apresentam inclinação acentuada e as ondas de baixa energia arrebentam diretamente na face praial, no rasinho onde você pode levar um caldo, por isso são também chamadas de praias de tombo.</p>
<p>Após arrebentar a onda não tem muito espaço para espraiar, mas na carta está escrito que a água espraia, acho que o Pero sabia geologia:</p>
<p> <em>“Neste ilhéu, onde fomos ouvir missa e pregação a água espraia muito, deixando muita areia e muito cascalho a descoberto&#8230;Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos. o que foi muito a propósito e fez muita devoção&#8230;”</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/igrejas.jpg"></a></p>
<div class="mceTemp mceIEcenter"><img title="Igrejas em Trancoso, Caraíva e Arraial D’Ajuda" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/igrejas2.jpg?w=510&#038;h=250" alt="" width="510" height="250" /></div>
<p>As igrejas de Trancoso, Caraíva e Arraial D’Ajuda (foto) são muito charmosas, simples e sempre cheias. Em janeiro Caraíva estava toda enfeitada para a festa do santo padroeiro, São Sebastião.</p>
<p> <em>“ Acabado isto, disse o Capitão que fôssemos no batéis em terra e ver-se-iam bem como era o rio, e também para folgarmos&#8230;Depois andou o Capitão para cima ao longo do rio, que corre sempre chegado à praia&#8230;”</em></p>
<p><em> </em>Para chegar em Caraíva tivemos que cruzar o rio Caraíva, apelidado de Eustáquio pela minha amiga, pois na verdade alguns rios que chegam na praia podem ser chamados estuários. Segundo o dicionário de geológico marinha (Suguio, 1992) um estuário é “um corpo aquoso litorâneo de circulação mais ou menos restrita, porém ainda ligado ao oceano aberto. Muitos estuários correspondem a desembocaduras fluviais afogadas.”</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/eustaquio1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-223" title="Rio Caraíva" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/eustaquio1.jpg?w=510&#038;h=318" alt="" width="510" height="318" /></a></div>
<p>Além da cor do mar, o que mais me impressionou na costa do descobrimento, foram os recifes de corais e o mangue protegido, cujo aparecimento está condicionado ao tipo de substrato, evolução geológica e o clima úmido.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/coral1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-224" title="Coral como um banco de vida!" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/coral1.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a>Do ponto de vista geológico-geomorfológico, um recife de coral é uma estrutura rochosa, rígida, constituída por organismos marinhos com esqueleto calcáreo, resistentes a ação das ondas e das correntes de maré, que funcionam como barreiras que protegem a zona costeira da erosão. Biologicamente falando os recifes de corais são o ecossistema marinho mais diverso e produtivo que se conhece, tanto quanto uma floresta tropical. São respónsáveis por processos únicos de produção de matéria orgânica e de ciclagem de nutrientes, que beneficiam não só os organismos constituintes do recife como a fauna e flora associada, que os usam com diversas finalidades como alimentação, reprodução e abrigo.</p>
<p>O local ideal para o desenvolvimento dos recifes deve ser em águas claras e de profundidade não muito elevada (para não prejudicar a fotossíntese). A salinidade do local deve ser elevada (por volta de 36 ppm) e temperatuda da água oscilar entre 25ºC e 29ºC.  A ação de ondas e correntes também é limitante para o desenvolvimento dos recifes de coral, visto que a alta energia de ondas e correntes gera maior suprimento de nutrientes e de oxigênio. Os recifes de corais do estado da Bahia são os maiores do Brasil e do atlântico sul ocidental e possuem um grande numero de espécies endémicas. Porém representam menos de 1% do total de recifes do globo terrestre.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;">Um dia bem cedo, fomos a uma praia de Trancoso, como não havia movimento de pessoas e carros, presenciamos um silêncio agradável e observamos muitos caranguejos vermelhinhos no mangue adjacente a praia. Pra minha surpresa o mangue é preservado e para atravessá-lo passamos sobre uma extensa passarela de madeira.</div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/mangue.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-227" title="Passarela de madeira sobre o manguezal e caranguejos vermelhos no substrato." src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/mangue.jpg?w=510&#038;h=239" alt="" width="510" height="239" /></a></p>
<p><em>“E então o Capitão passou o rio com todos nós outros, e fomos pela praia de longo, indo os batéis, assim, rente da terra. Fomos até uma lagoa grande de água doce, que está junto com a praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cima e sai a água por muitos lugares&#8230;”</em></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/agua-tds-lados.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-228" title="Lago próximo a praia do Satu, Caraíva." src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/agua-tds-lados.jpg?w=509&#038;h=382" alt="" width="509" height="382" /></a></p>
<p>O Pero não mandou tão bem na geologia, ao dizer que <em>sai água por muitos lugares</em>! Deve ser porque próximo ao mar, formam-se alguns laguinhos de água salobra, separados do mar aberto por uma delgada faixa de areia. Provavelmente esta faixa é transposta pela maré alta e com isso ocorre a manutenção do nível da água desses corpos d’água, ou da água que sai por muito lugares.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/falesias.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-229" title="Falésias coloridas do Grupo Barreiras, Caraíva." src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/falesias.jpg?w=300&#038;h=197" alt="" width="300" height="197" /></a>”<em>Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, o longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa&#8230;”</em></p>
<p>As grandes barreiras coloridas são as falésias do Grupo Barreiras. <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/falesiaes.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-231" title="Falésias do Grupo Barreiras, Guarapari." src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/falesiaes.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a>O Grupo Barreiras é constituído por depósitos sedimentarares de material continental terrígeno (areias finas a grossas, cascalhos e argilas cinza-avermelhado, roxas e amareladas) de idade Miocênica a Pleistocênica inferior, ou seja, formados de 23 a 1,8 milhões de anos atrás. Internamente esse depósito é organizado em estratos inclinados que se truncam, em laminas paralelas ou sem organização visível, gerado por leques aluviais em condições de clima árido a semi-árido.</p>
<p> Leque Aluvial: (1) Depósito de sedimentos depositados no sopé de área montanhosa, distribuindo-se como um grande leque triangular a partir do vale a montante. (2) Os leques aluviais são sistemas fluviais distributários espraiados por dispersão radial no assoalho de uma bacia a partir dos locais de saída de drenagens em regiões montanhosas.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/fortaleza-063.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-233" title="Falésias do Grupo Barreiras, Fortaleza." src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/fortaleza-063.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a>Esses depósitos podem ser encontrados em outros trechos da costa brasileira, por exemplo em Guarapari, ES e em Fortaleza, CE. Dessas areias coloridas são feitas aquelas garrafinhas que ganhamos de lembrança de viagem com desenhos de praias, casinhas, veleiros&#8230;</p>
<p>A evolução geológica desse setor da costa aconteceu sob contexto de variação do nível relativo do mar como ilustrado na figura a seguir.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/evolucaobarreiras.jpg"></a></p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/evolucaobarreiras1.jpg"></a></p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/evolucaobarreiras1.jpg"></a></p>
<div><em><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/evolucaobarreiras1.jpg"></a></em></div>
<div><em> </em></div>
<div><em> </em><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/evolucaobarreiras1.jpg"><img class="size-medium wp-image-239 alignright" title="Evolução geológica da costa do descobrimento, figuras extraídas do projeto Costa do Descobrimeto (CPRM, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral, Universidade Federal da Bahia, 2000)." src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/evolucaobarreiras1.jpg?w=245&#038;h=300" alt="" width="245" height="300" /></a><em>“Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão arvoredos&#8230;Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem&#8230;<br />
E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.<br />
Beijo as mãos de Vossa Alteza.<br />
Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.<br />
Pero Vaz de Caminha”</em></div>
<p>Agora é minha vez:</p>
<p>Desta São Paulo, hoje, quinta-feira, vigésimo segundo dia de abril de 2010.</p>
<p>Ana Paula Burgoa Tanaka</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/natgeologic.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/natgeologic.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/natgeologic.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/natgeologic.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/natgeologic.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/natgeologic.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/natgeologic.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/natgeologic.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/natgeologic.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/natgeologic.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/natgeologic.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/natgeologic.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/natgeologic.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/natgeologic.wordpress.com/201/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=201&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 23:22:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rogeriobrandi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Opa, opa, caros leitores. Em minha estréia oficial neste tão interessante blog, desejo contar um pouco sobre minhas primeiras impressões a respeito da difícil vida de um petroleiro. Uma estréia sobre uma estréia: meu primeiro embarque; minha primeira experiência offshore. Como todo bom embarque que se preza na agora não tão badalada Bacia de Campos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=254&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Opa, opa, caros leitores.</p>
<div id="attachment_260" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/dsc07752.jpg"><img class="size-medium wp-image-260" title="Ano novo em algum lugar do oceano" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/dsc07752.jpg?w=225&#038;h=300" alt="Adeus, 08!!! Olá, 09!!!" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Brindando mais um ano!</p></div>
<p>Em minha estréia oficial neste tão interessante blog, desejo contar um pouco sobre minhas primeiras impressões a respeito da difícil vida de um petroleiro. Uma estréia sobre uma estréia: meu primeiro embarque; minha primeira experiência <em>offshore</em>.</p>
<p>Como todo bom embarque que se preza na agora não tão badalada Bacia de Campos (Bacias sedimentares são , numa maneira simplista de tentar explicar, regiões no globo terrestre topograficamente mais baixas que seu entorno, para onde sedimentos se dirigem, pela ação da gravidade, e são depositados), ele teve início na gloriosa Macaé. A Bacia de Campos, com uma área de aproximadamente 100 000 km<sup>2</sup>, está localizada entre os arcos (regiões do embasamento das bacias, ou seja, as rochas que estão abaixo das bacias, que eram topograficamente mais altas quando da deposição dos sedimentos) de Cabo Frio, ao sul, e de Vitória, ao norte. Com mais de um milhar de poços perfurados, é a bacia marinha mais bem estudada do país. E esta grande quantidade de poços perfurados ocorre em decorrência de sua importância na indústria petrolífera do Brasil: é a responsável por aproximadamente 90% das reservas e da produção nacional do líquido negro do capitalismo. Esse quadro, é bem verdade, deverá mudar num futuro próximo, com a declaração de comercialidade dos campos petrolíferos presentes no famoso Pré-sal das Bacias de Santos e do Espírito Santo</p>
<div id="attachment_255" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/bacias-brasileiras.jpg"><img class="size-medium wp-image-255 " title="Bacias sedimentares brasileiras" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/bacias-brasileiras.jpg?w=300&#038;h=273" alt="Bacias do Brasil" width="300" height="273" /></a><p class="wp-caption-text">As bacias seidmentares brasileiras</p></div>
<p>Após 1h de atraso no aeroporto de Macaé, adentramos eu e S., ímpar colega de profissão, no mosquito de aço que nos levaria rumo ao desconhecido, quilômetros de distância da costa brasileira. Meus medos estavam escondidos em algum lugar no fundo de meu âmago, visto que sofro de uma incontrolável fobia de águas fundas (lê-se: mais que 3m de lâmina d’água). O destino desta empreitada era uma plataforma semi-submersível, que no momento perfurava um poço do campo de Marlim.</p>
<p>Ao contrário do que alguns pensam, quando se fala em reservatórios (sejam eles de petróleo ou água) subterrâneos, não estamos falando, salve exceções, de verdadeiras piscinas soterradas. Os reservatórios são rochas ou sedimentos inconsolidados que apresentam espaços vazios (porosidade) preenchida por um determinado fluído de interesse, no caso, hidrocarbonetos. Numa analogia, imagine a caixa cheia de areia onde seu gatinho faz suas necessidades. Quando o bichano urina, o fluído de interesse (que nesse caso é o xixi) percola por entre os espaços vazios que existem entre os grãos de areia (poros) e vão os preenchendo, até que, caso você morra e seu bichano não, os poros da caixa de areia fiquem completamente preenchidos por xixi. Neste caso, possuiremos um reservatório 100% saturado em urina.</p>
<p>Na natureza, ocorre, mais ou menos, o mesmo. Só que, no caso da indústria petrolífera, o petróleo não é expelido por um gato. O petróleo é gerado a partir de matéria orgânica. Esta matéria orgânica, quando atinge determinadas temperaturas, começa a ter sua estrutura molecular quebrada, num processo chamado craqueamento. Os hidrocarbonetos são fruto deste craqueamento. Para que essas rochas ricas em matéria orgânica atinjam temperaturas suficientemente altas para gerar petróleo, faz-se necessário que elas sejam soterradas. Na natureza, conforme a profundidade de soterramento aumenta, aumenta também a temperatura das rochas. Logo, uma vez que o petróleo é gerado em profundidade, como o mesmo possui densidade menor que a água, ele tende a ir em direção à superfície, percolando pelas rochas que possuam poros e, principalmente, poros interligados, que resultam numa propriedade física das rochas muito importante, a transmissibilidade, que é a capacidade das rochas de transmitir adiante os fluídos que ela possui. Lembrando que a água está sempre presente, preenchendo os poros das rochas nas bacias sedimentares (todos os poros abaixo do lençol freático).</p>
<p>Em assim sendo, o que petroleiros procuram são rochas porosas que possuam petróleo preenchendo seus poros. Petróleo pode ser o óleo, o gás ou o condensado (que é gás nas condições do reservatório e líquido na superfície). Mas, alguns de vocês mais atentos podem perguntar, se o petróleo é menos denso que a água, tem que existir algo que o prenda e  impeça de subir até a superfície (ao que, quando ocorre, dá-se o nome de exsudação).</p>
<div id="attachment_258" class="wp-caption alignleft" style="width: 128px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/trapa1.jpg"><img class="size-medium wp-image-258 " title="Trapas" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/trapa1.jpg?w=118&#038;h=298" alt="Trapas de petróleo" width="118" height="298" /></a><p class="wp-caption-text">Exemplos de trapas estratigráficas e estruturais</p></div>
<p>Sim! E a esse algo é dado o nome de trapa. As trapas nada mais são do que um arranjo geométrico de rochas que resulta na justaposição de uma rocha impermeável com uma permeável (no caso, o reservatório). As trapas podem ser de caráter estratigráfico ou estrutural. No primeiro caso, o processo responsável pela justaposição de rochas de transmissibilidade diferentes é estritamente deposicional, ou seja, reflete as condições ambientais no momento em que os sedimentos foram depositados. Já no segundo, o processo responsável por essa justaposição é, como o próprio nome diz, estrutural, o que significa que devido a processos na maioria dos casos pós-deposicionais, e em função do rearranjo das rochas devido aos esforços regionais presentes na área onde estas rochas ocorrem, estas se quebram e o movimento relativo dos blocos coloca em contato rochas de baixa transmissibilidade com rochas de alta. Assim colocado, pode parecer confuso, mas, como diz a sabedoria popular, uma imagem vale mais que mil palavras.</p>
<div class="mceTemp">Feitas as devidas apresentações conceituais, voltemos ao embarque. A vida em ambiente confinado pode tornar-se difícil. A vida em ambiente confinado em meio ao alto-mar, pode tornar-se bastante difícil. Para tentar amenizar o sofrimento dos coitados petroleiros embarcados, muitas das operadoras de sondas oferecem 24h por dia canais de TV pouco ortodoxos. Todas, entretanto, oferecem salas de descanso, de ginástica, de TV e comida. Muita comida. Muita comida, mesmo. A cada 3h, aproximadamente, uma refeição é servida aos enlatados.</div>
<p>Em meu primeiro dia em alto mar, comecei a me familiarizar com os personagens que seriam meus colegas nos próximos dias. Basicamente, o trabalho de um geólogo numa sonda de exploração é feito na chamada cabine de geologia, ou cabine de <em>mud logging</em>. Nela, o geólogo responsável pelo poço, em companhia do TDC (<em>Total Drilling Controler</em>), geólogo de empresa contratada que controla todos os parâmetros vitais do poço que, em última instância, está lá para ajudar a evitar que o poço entre em <em>blow out</em>. Aquela clássica imagem dos filmes e desenhos animados antigos, onde o óleo jorra do alto da torre de perfuração (o famoso <em>blow out</em>)<em> </em>é a última coisa que nós, petroleiros, queremos que aconteça. Isto apenas acontece quando é perdido completamente o controle sobre o poço; e é extremamente perigoso. É evitado controlando a densidade do fluido de perfuração utilizado nas operações, de modo que a pressão que a coluna de fluido de perfuração exerce no reservatório seja suficiente para inibir que o petróleo que está em profundidade saia da mesma.</p>
<p>Aspectos técnicos da perfuração a parte, o campo de Marlim, sobre o qual a estrutura de metal flutuante se encontrava, é composto por arenitos depositados há aproximadamente 20 milhões de anos, através de um processo sedimentológico chamado genericamente de fluxo gravitacional, onde uma mistura de água e sedimentos torna-se instável e, se valendo da imperdoável lei da gravidade, desloca-se de um local a outro, a fim de novamente, estabelecer um equilíbrio estático. No caso da costa leste brasileira, esses depósitos arenosos, chamados, por vezes erroneamente, de turbiditos, são os principais reservatórios de hidrocarbonetos explotados atualmente.  </p>
<p>O papel do geólogo de acompanhamento de poço é, grosso modo, fiscalizar a perfuração.  Não os aspectos operacionais da perfuração, sim os aspectos geológicos, o que significa que o geólogo tem que saber o que está sendo furado, o que está por ser furado e, principalmente, identificar se o petróleo está presente. O que está sendo furado é sabido pois, dentre os papéis do fluído de perfuração, existe o de transportar os fragmentos de rocha quebrados pela broca até a superfície, onde o geólogo os analisa e interpreta. O que está por ser perfurado vai do conhecimento que o geólogo tem da Bacia onde está trabalhando e do apoio técnico dos geólogos não embarcados (todo poço a ser perfurado possui um quadro de previsões geológicas, que identifica quais as prováveis litologias que serão encontradas). O petróleo é identificado quando indícios do mesmo são identificados (grãos de areia manchados, escape de gás para o fluido de perfuração, dentre outros). E tudo isto é auxiliado pela moderna tecnologia que é empregada na indústria petrolífera.</p>
<p>Concomitantemente à perfuração do poço, junto da coluna de perfuração, uma série de ferramentas desce no poço, a fim de, utilizando os mais variáveis métodos, identificar o que está sendo furado e quais os fluidos presentes nas rochas (ferramentas de LWD e MWD, como são conhecidas, do inglês <em>Log</em> e <em> Measure While Drilling</em>). Dentre os métodos mais empregados, ferramentas que medem a resistividade (ou seja, a dificuldade que uma corrente elétrica possui para passar) das rochas, o tempo de trânsito (a velocidade das ondas sônicas na rocha), a quantidade de Urânio, Thório e Potássio (indicativos de matéria orgânica, presentes nos sedimentos finos), etc ajudam os técnicos de exploração a se localizar e proceder com seu importante trabalho.</p>
<p>Quando digo que a tecnologia é de ponta, não é força de expressão. Uma vez que essas informações lidas na parede do poço não podem ser transmitidas em tempo real por fios para a superfície, os engenheiros se valeram da diferença de pressão para saber o que está ocorrendo milhares de metros abaixo do intenso azul marinho. Colocada junto das ferramentas de LWD (que lêem os parâmetros desejados), a de MWD é responsável por passar estas informações para as mentes pensantes que trabalham na plataforma. Através de uma espécie de válvula que se abre e fecha, impedindo ou permitindo a passagem do fluxo de fluido de perfuração pelo interior da coluna, um sensor na superfície identifica esses aumentos da pressão interna da coluna como um código binário e interpretam o que as ferramentas estão lendo, gerando curvas que posteriormente são interpretadas pelos geocientistas (as mentes pensantes na plataforma).</p>
<div id="attachment_259" class="wp-caption aligncenter" style="width: 378px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/dsc07694.jpg"><img class="size-large wp-image-259  " title="O belo oceano por baixo da plataforma" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/dsc07694.jpg?w=368&#038;h=277" alt="" width="368" height="277" /></a><p class="wp-caption-text">Aaaah, como é belo este enorme tanque azul!!!</p></div>
<p> </p>
<p>E dessa forma, entre refeições e diarréias, mau tempo e bom tempo, dificuldades operacionais e tudo o mais, neste exato momento em que você está lendo, milhares de trabalhadores estão mundo afora enlatados em busca do ouro negro, para que a gente possa ter gasolina para nossos carros de plástico andarem em avenidas asfaltadas. Tudo isso enquanto nos preocupamos com o valor dos papéis da Petrobrás em que investimos na bolsa de valores.</p>
<p>GEOLOGY ROCKS!!!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/natgeologic.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/natgeologic.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/natgeologic.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/natgeologic.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/natgeologic.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/natgeologic.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/natgeologic.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/natgeologic.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/natgeologic.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/natgeologic.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/natgeologic.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/natgeologic.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/natgeologic.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/natgeologic.wordpress.com/254/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=254&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">rogeriobrandi</media:title>
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			<media:title type="html">Ano novo em algum lugar do oceano</media:title>
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		<media:content url="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/04/bacias-brasileiras.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">Bacias sedimentares brasileiras</media:title>
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			<media:title type="html">Trapas</media:title>
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			<media:title type="html">O belo oceano por baixo da plataforma</media:title>
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		<title>Geologia no nosso cotidiano &#8211; número 1</title>
		<link>http://natgeologic.wordpress.com/2010/03/29/paramount/</link>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 16:25:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>salma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Espelho de falha]]></category>
		<category><![CDATA[Falha]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia!]]></category>
		<category><![CDATA[Paramount]]></category>

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		<description><![CDATA[Um breve descanso entre nossos posts de viagens, mas esse não deixa de ser uma experiência própria que vai mostrar pra vocês como os geólogos olham o mundo e seus detalhes triviais. Outro dia fui ao cinema e me deparei com esta imagem: As pessoas normalmente olham e pensam: &#8220;bonita montanha&#8221; ou &#8220;Shhhh! Vai começar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=196&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um breve descanso entre nossos posts de viagens, mas esse não deixa de ser uma experiência própria que vai mostrar pra vocês como os geólogos olham o mundo e seus detalhes triviais.</p>
<p>Outro dia fui ao cinema e me deparei com esta imagem:</p>
<div id="attachment_197" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/paramount-majestic-mountain-logo.jpg"><img class="size-full wp-image-197" title="paramount-majestic-mountain-logo" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/paramount-majestic-mountain-logo.jpg?w=500&#038;h=383" alt="" width="500" height="383" /></a><p class="wp-caption-text">Logo da Paramount Pictures</p></div>
<p>As pessoas normalmente olham e pensam: &#8220;bonita montanha&#8221; ou &#8220;Shhhh! Vai começar o filme!!&#8221; . Mas o geólogo aqui pensou: &#8220;NOSSA! QUE MAGNÍFICA SUPERFÍCIE DE FALHA!!&#8221; (sim, admito que geralmente faço isso, não me julguem, é mais forte que eu)</p>
<p>Entendam: a montanha tem um lado totalmente reto. Numa rocha, poucas feições dão esta aparência, apenas fraturas e falhas com determinadas geometrias. Se a superfície é lisinha como dessa figura, podem chamá-la de &#8220;espelho de falha&#8221;. E podem ver também que os ilustradores se preocuparam com mais geologia: a falha da grande montanha não está sozinha, mas dá pra ver, de todo o lado esquerdo da imagem, que aparecem também outras falhas ou fraturas com mesma direção, que é o que geralmente acontece na natureza: as fraturas e falhas se agrupam em &#8220;sistemas&#8221;, raramente estando isoladas.</p>
<p>Então obrigado à Paramount, que deixa os geólogos se deliciarem com uma bela montanha com uma bela falha!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/natgeologic.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/natgeologic.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/natgeologic.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/natgeologic.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/natgeologic.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/natgeologic.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/natgeologic.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/natgeologic.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/natgeologic.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/natgeologic.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/natgeologic.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/natgeologic.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/natgeologic.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/natgeologic.wordpress.com/196/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=196&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">brunorapungeo</media:title>
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			<media:title type="html">paramount-majestic-mountain-logo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Tá achando ruim? Podia ser pior&#8230;</title>
		<link>http://natgeologic.wordpress.com/2010/03/25/cabrobo/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 19:06:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>salma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geo-Engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[Borborema]]></category>
		<category><![CDATA[Cabrobó]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia!]]></category>
		<category><![CDATA[Transposição]]></category>

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		<description><![CDATA[Você podia estar em Cabrobó! Essa frase virou uma piada minha, fazendo graça, claro, com o nome da cidade, que é muito exótico e soa como se fosse o fim do mundo. O sertão nordestino costuma ser visto como um lugar muito isolado, e é exatamente ali que fica a cidade de Cabrobó. Mas na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=174&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/panoramica-1.jpg"><img title="Panorâmica 1" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/panoramica-1.jpg?w=509&#038;h=94" alt="" width="509" height="94" /></a></p>
<p>Você podia estar em Cabrobó! Essa frase virou uma piada minha, fazendo graça, claro, com o nome da cidade, que é<a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/pernambuco1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-192" title="Pernambuco" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/pernambuco1.jpg?w=300&#038;h=183" alt="" width="300" height="183" /></a> muito exótico e soa como se fosse o fim do mundo. O sertão nordestino costuma ser visto como um lugar muito isolado, e é exatamente ali que fica a cidade de Cabrobó. Mas na verdade esta cidade não é o pior lugar para se estar, afinal lá é um centro urbano com eletricidade, água e esgoto (fora o fato de ter porcos, bodes e jegues andando no meio da rua). Mas fica numa região perigosíssima de Pernambuco, conhecida como Polígono da Maconha.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/bode.jpg"><img class="alignleft" title="Bode" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/bode.jpg?w=300&#038;h=176" alt="" width="300" height="176" /></a>Cabrobó é uma das várias cidades em que estão implantados os canteiros de obras da transposição do Rio São Francisco, o enorme empreendimento do governo do PT cuja idéia era puxar a água do rio para alguns canais e, assim, irrigar o sertão – que sempre foi retratado como sendo um lugar seco e sem recursos. O princípio do projeto é interessante e até aparenta ser de boa vontade. Mas há vários defeitos no projeto como, por exemplo, os canais correrem ao ar livre, o que faz o sistema perder a eficiência por evaporação (imaginem que lá o ambiente já é semi-árido), além de facilitar possíveis captações de água clandestinas. Mas não tenho a pretensão de falar das melhores alternativas do projeto, que foi tão polêmico num passado não muito distante.</p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption ">
<dt><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6108.jpg"><img title="Cabrobó" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6108.jpg?w=509&#038;h=382" alt="Panorama da cidade de Cabrobó" width="509" height="382" /></a></dt>
<dd>Vista da cidade de Cabrobó</dd>
</dl>
</div>
<p>Visitei Cabrobó mais de uma vez, acreditem. Claro que não foi por opção. E cada vez foi pra fazer algo diferente no projeto da Trasnposição. Da primeira vez fui chamado às pressas para aprovar a escavação de uma fundação de alguns pilares da obra, aproveitando que eu já estava perto, lá em Aracaju. Da segunda vez fui chamado para dar uma olhada bem rápida em alguns lugares do canal que estavam dando problema para o consórcio, e da terceira fui chamado para fazer o mapeamento geológico de um trecho de uns 3km.</p>
<p>O sertão tem aquele jeitão que aparece em tantos filmes e documentários: vegetação toda retorcida, ambiente seco e não muito hospitaleiro. As construções são sempre pobres, grande parte delas é de pau-a-pique, casa do tal do Mosquito Barbeiro. Mesmo assim, as árvores são mais verdes do que eu achava que elas fossem ser.</p>
<p>Curioso, também, é a abundância de jegues e bodes nas ruas e estradas. Dizem que os jegues foram abandonados pelos sertanejos depois que as motocicletas ficaram acessíveis. Literalmente abandonados. E o jegue macho encontra a jegue fêmea&#8230;. xi, já viu no que dá. Ouvi dizer que há &#8220;temporadas de caça ao jegue&#8221;, para reduzir a população deles, que já é meio &#8220;praga&#8221;. Inclusive porque andam soltos pelas estradas e causam graves acidentes.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6368.jpg"><img title="Sertão" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6368.jpg?w=509&#038;h=382" alt="" width="509" height="382" /></a></p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6155.jpg"><img title="Casinha" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6155.jpg?w=509&#038;h=382" alt="" width="509" height="382" /></a></p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/seca.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-191" title="seca" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/seca.jpg?w=509&#038;h=382" alt="" width="509" height="382" /></a></p>
<p>O lugar onde o consórcio coloca os seus consultores não é ruim. O Via Hotel fica na beira da estrada e a 10 minutos à pé do canteiro de obras. Tem quartos arrumadinhos e uma comida bem decente (embora todos os molhos: strogonoff, chateaubriand, etc, sejam brancos com champignon.) O serviço é meio devagar, e mesmo com o frigobar desligado e vazio durante todas as noites o cara na recepção pergunta “teve consumo no quarto essa noite?”. Weird.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6186.jpg"><img title="Escavação" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6186.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">É num lugar assim que eu passo o dia inteiro fazendo mapeamento...</p></div>
<p>O trabalho em si não é dos mais agradáveis, seja lá qual for. A obra é um negócio monstruoso. São dezenas de quilômetros contínuos de destruição/construção, um sol dos infernos, sem sombra alguma, mal tem postos de apoio do meio do caminho pra pegar uma água, caminhões ficam zanzando de um lado para o outro, sem contar que muitas vezes você trabalha do lado de uma retro-escavadeira ou de uma perfuratriz bastante barulhenta. E se der o azar de ter que trabalhar à noite, cuidado com o Potó – um besouro que fica rodeando os postes de luz e que, se assustar, solta um líquido cáustico que pode provocar queimaduras de terceiro grau!! Pessoalmente eu acho bastante deprimente e cansativo, principalmente pelo fato de, em geral, eu estar totalmente sozinho dentro da vala escavada.</p>
<div id="attachment_183" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6324.jpg"><img class="size-medium wp-image-183" title="IMG_6324" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6324.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Eles estão por todos os lados ali... cuidado na estrada à noite!</p></div>
<p>Depressões à parte, vamos à geologia. O trecho de Cabrobó atravessa o que é chamado de Província Borborema, nome dado a um conjunto de rochas metamórficas em associação com granitos lá do Nordeste. É um terreno muito antigo, e os estudos indicam que esta Província é resultado da aglomeração de diversas pequenas placas tectônicas há centenas de milhões de anos atrás. No sul do trecho são observados granitos e gnaisses, interpretados como sendo a região vulcânica do contato entre placas daquela época (denominada de margem ativa, como seria o caso da Cordilheira dos Andes num equivalente atual). No norte do trecho são observadas outros tipos de rochas metamórficas como xistos e quartzitos, além dos granitos e gnaisses, e essa associação de rochas é interpretada como sendo a região costeira deste contato (margem passiva).</p>
<div id="attachment_184" class="wp-caption aligncenter" style="width: 519px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/gnaissao.jpg"><img class="size-medium wp-image-184 " title="gnaissão" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/gnaissao.jpg?w=509&#038;h=382" alt="" width="509" height="382" /></a><p class="wp-caption-text">Gnaisse com suas dobras.</p></div>
<div id="attachment_185" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/gnaissao-e-granitao.jpg"><img class="size-medium wp-image-185 " title="gnaissão e granitão" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/gnaissao-e-granitao.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Gnaisse e granito em contato.</p></div>
<p>O relevo na região é suave, quase plano. Pipocam montanhas de uns 100m de altura espalhados no meio da caatinga aplainada. Estas montanhas representam os granitos. Os terrenos norte e sul, descritos acima, são separados por uma faixa quase leste-oeste de quartzitos, que formam serras alongadas.</p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption ">
<dt><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6282.jpg"><img title="Placas" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6282.jpg?w=509&#038;h=382" alt="" width="509" height="382" /></a></dt>
<dd>Estes xistos e quartzitos apresentam toda sua estruturação com alto ângulo, fazendo com que após a degradação da rocha sejam ressaltadas “placas” verticais para fora do solo.</dd>
</dl>
</div>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6137.jpg"><img title="IMG_6137" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/img_6137.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Deslizamentos e quedas de blocos.</p></div>
<p>A grande questão e maior problemática geológica na construção destes canais é a propriedade das rochas que existem ali – a cobertura de solo é muito escassa, por isso a escavação do canal tem que ser feita em sua maior parte por meio de explosivos. E fica muito difícil controlar a forma que o canal vai ter após as detonações, principalmente porque as rochas têm muitas fraturas que, dependendo da relação geométrica entre elas e a parede do canal, podem gerar queda de blocos de rocha de metros ou dezenas de metros de extensão. Essa desconformidade entre a geometria projetada e a geometria real (em geral com excesso de escavação) é denominada overbreak. Em rochas muito fraturadas esse problema não seria resolvido nem se a escavação fosse feita a laser. As fraturas estão ali, são naturais do maciço rochoso e o próprio peso dos blocos separados por elas e pela parede dos canais é suficiente para causar escorregamentos destes blocos. Mesmo o intenso atrito entre rocha e rocha não basta para segurar estas massas rochosas, principalmente se as fraturas são planas e lisas, isto é, sem irregularidades na superfície que aumentem o atrito. A solução, em geral, é colocar tirantes, espécies de “parafusos” para segurar os blocos no substrato mais firme, e cobrir tudo com uma capa de concreto.</p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption alignleft">
<dt><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/chico.jpg"><img title="chico" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/03/chico.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></dt>
<dd>Vista aérea do RIo São Francisco</dd>
</dl>
</div>
<p>O trajeto de volta para São Paulo não é dos mais simples. O aeroporto mais próximo fica em Petrolina, a 2 horas de carro. Alternativamente, outro aeroporto fica em Juazeiro do Norte, a 3 horas. São aeroportos pequenos e locais – mais parecem rodoviárias de onde saem aviões –, com pouquíssimos vôos por dia (uns 4). Destes aeroportos, faz-se escala em Salvador ou Recife (1h de vôo) e aí então se toma um avião a São Paulo (3 horas de vôo).</p>
<p>Depois de sobreviver a um sol de desnaturar as proteínas, aos tratores, aos besouros-bomba (apelido que um amigo deu ao tal do Potó), aos jegues soltos na estrada e às aero-rodoviárias, São Paulo é um saudoso lar.</p>
<div>
<dl></dl>
</div>
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			<media:title type="html">brunorapungeo</media:title>
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			<media:title type="html">Panorâmica 1</media:title>
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			<media:title type="html">Pernambuco</media:title>
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			<media:title type="html">Bode</media:title>
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			<media:title type="html">Cabrobó</media:title>
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			<media:title type="html">Sertão</media:title>
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			<media:title type="html">Casinha</media:title>
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			<media:title type="html">seca</media:title>
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			<media:title type="html">Escavação</media:title>
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			<media:title type="html">IMG_6324</media:title>
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			<media:title type="html">gnaissão</media:title>
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			<media:title type="html">gnaissão e granitão</media:title>
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			<media:title type="html">Placas</media:title>
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			<media:title type="html">IMG_6137</media:title>
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			<media:title type="html">chico</media:title>
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	</item>
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		<title>Geologia Asteca</title>
		<link>http://natgeologic.wordpress.com/2010/02/24/geologia-asteca/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 14:54:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>talitaxoca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mineração]]></category>

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		<description><![CDATA[Talita, você se vira bem com espanhol?? Essa foi a primeira pergunta que meu chefe me fez ao saber que o contrato de amostragem havia sido fechado!! Eu, sem ao menos saber o que me esperava respondi: nunca tive contato com a língua, mas devo me virar bem com o portunhol!!   E assim começava minha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=145&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">Talita, você se vira bem com espanhol?? Essa foi a primeira pergunta que meu chefe me fez ao saber que o contrato de amostragem havia sido fechado!! Eu, sem ao menos saber o que me esperava respondi: nunca tive contato com a língua, mas devo me virar bem com o portunhol!!  </p>
<p>E assim começava minha saga rumo ao México. O trabalho estava sendo cogitado fazia um tempão e antes de se decidir que eu iria fazer o trabalho braçal amostragem (coletar pedaços de rocha na superfície), meu chefe esteve por lá viajando por diversas cidades e procurando locais onde ocorressem depósitos de argila e calcário para quem sabe, futuramente, servirem de alvos a pesquisa.   </p>
<p>A cidade escolhida, não só por já existir infra-estrutura local da empresa contratante, mas também por ter ótimas exposições de calcário, foi Tuxtla Gutiérrez, capital do Estado de Chipas, a sul da Península de Yucatán, e muito, mas muito longe do mar. <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/localizacao-tuxtla.jpg"><img class="alignleft" title="Localização Tuxtla" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/localizacao-tuxtla.jpg?w=245&#038;h=300" alt="" width="245" height="300" /></a> O trabalho em si era corriqueiro, tinha que fazer amostragem em frente de lavra e verificar nas proximidades a possível ocorrência de argilas. Com isso, todas as instruções foram passadas e, como meu chefe estava mais ansioso do que eu, me passou várias recomendações: cuidado com isso, cuidado com aquilo, você não estará no Brasil, etc., mais parecia a minha mãe quando eu fui fazer a primeira viagem de campo da faculdade. <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-1562.jpg"><img class="alignright" title="México_2009 156" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-1562.jpg?w=268&#038;h=198" alt="" width="268" height="198" /></a>   </p>
<p>Recomendações dadas, mala arrumada, visto concedido, lá fui eu embarcar para a Cidade do México. O voo é bem longo, dura umas 9 horas, e eu como boa marinheira de primeira viagem, passei meu primeiro aperto na hora do jantar. ? Pasta ou Pollo? Na hora que me perguntaram, nem entendi direito o que era cada coisa, pedi o primeiro e por sorte, o raviolli estava delicioso!!<a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-1562.jpg"></a>   </p>
<p style="text-align:left;">Mais algumas saias justas na fila da imigração, no embarque doméstico e finalmente desembarco no aeroporto de Tuxtla Gutierrez, onde o engenheiro local me esperava. A hora local era aproximadamente 13 horas, mas o meu horário biológico já estava passando das 16 e eu estava apenas com o café da manhã servido no avião. O dia estava praticamente perdido e só me restava almoçar com o meu acompanhante experimentar a famosa comida mexicana. Nesse momento descobri que &#8220;salsa&#8221; nada mais é do que molho de pimenta forte e que eu ia ter que me acostumar!! <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-1562.jpg"></a>   </p>
<p style="text-align:left;">Os primeiros dias foram um tanto quanto difíceis, principalmente pelo fato de ter lidar com trabalhadores locais e que raramente entendiam o que eu falava e, secundariamente, pela grande discrepância de horários: 1) meu café da manhã era antes de começar a trabalhar, o deles é bem no meio da manhã; 2) meu horário de almoço é das 12 às 13 horas, o deles é indeterminado a partir das 15 horas.   </p>
<p style="text-align:left;"> <img class="alignleft" title="Vista geral da Mina" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/phoenix-030.jpg?w=345&#038;h=260" alt="" width="345" height="260" />Foi um pouco complicado chegar a um consenso geral, mas depois de algumas horas paradas embaixo do sol, alguns lanches apimentados na hora do almoço, não teve mistério, grandes paredões de calcário, onde eu deveria orientar os ajudantes a coletar pequenos fragmentos de rocha ao longo de uma canaleta de no máximo 5 metros de altura e, sol, muito sol na cabeça!!    </p>
<p>Os calcários do México são bastante conhecidos, principalmente porque serviram de matéria prima para a 3º maior produtora de cimento do mundo: Cemex.<a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/auxiliares-de-campo.jpg"><img class="size-medium wp-image-159 alignright" title="Auxiliares de Campo" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/auxiliares-de-campo.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a>   </p>
<p>O cimento é um pó fino com propriedades aglomerantes, aglutinantes ou ligantes, que endurece sob a ação da água. Este pó é composto por calcário e argila, que após vários processos ponderados de mistura, queima e homogeneização gera a principal matéria prima do cimento, denominado clínquer. Esse clínquer, misturado com alguns outros componentes (pozolana, gesso, escória) é o que forma o cimento que chega até os consumidores, cimento esse que é o segundo material mais consumido do mundo, perdendo apenas para a água.   </p>
<p>Geologicamente falando, o depósito carbonático nesta região encontra-se sob o domínio de calcários do Cretáceo Superior relativos à Formação Ocozocouatla - Angostura que ocupa o núcleo da Sinclinal de Ocozocouatla.    </p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 520px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-002.jpg"><img title="Sinclinal" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-002.jpg?w=510&#038;h=382" alt="" width="510" height="382" /></a><p class="wp-caption-text">A cidade se aloja bem nocentro da dobra, e a montanha ao fundo equivale a o flanco da dobra. </p></div>
<p>A formação das rochas carbonáticas está associada a ambientes marinho raso, de águas quentes, calmas e transparentes, onde ocorre a precipitação do carbonato de cálcio, que tem origem variada, desde fósseis de carapaças e esqueletos calcários de organismos vivos, que compõem os calcários fossilíferos, até por precipitação química. <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/phoenix-1361.jpg"></a> O calcário que fui procurar tinha que ser propício à fabricação de cimento, e para tanto, deveria apresentar teores de CaO &gt; 51%, mas isso eu só iria saber após as análises químicas. Adiantando um pouco os fatos, os calcários amostrados apresentaram teores muito acima do desejado (~54% CaO). </p>
<p>Depois de 8 dias de trabalho corrido, sem ao menos ter tempo para passear um pouquinho, partir para a segunda etapa do trabalho, que era prospectar nas redondezas algum depósito de argila. A argila também é outro componente bastante importante à fabricação do cimento, sem ele não é possível fabricar o clínquer e sem isso não podemos fabricar o cimento.<img class="alignright" title="Phoenix 136" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/phoenix-1361.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" />   </p>
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;"><span id="more-145"></span>Os 2 dias reservados para esta prospecção foram na verdade passeios de carro que me levaram a lugares de exuberância paisagem e ao inesquecível Canõn del Sumidero. Formado por um complexo de falhas que afetou a região no Pleistoceno, cerca de 1,5 milhões de anos atrás, o cânion do rio Grijalva tem desníveis de até 1 km e extensão de 27 km, percorridos em 1 hora e meia de barco.  </p>
<p style="text-align:left;"> Os paredões de rocha carbonática são um dos mais conhecidos roteiros turísticos do estado de Chiapas e todo ano reuni milhares de visitantes de todo mundo. E eu claro, não poderia deixar a cidade sem conhecer esta maravilha geológica. </p>
<p style="text-align:left;">  </p>
<p style="text-align:center;">  <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-0591.jpg"></a>    </p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 754px"><img title="Turismo" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-100.jpg?w=744&#038;h=541" alt="" width="744" height="541" /><p class="wp-caption-text">Foto de turista</p></div>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 1034px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/phoenix-117.jpg"><img title="Canon del Sumidero" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/phoenix-117.jpg?w=1024&#038;h=768" alt="" width="1024" height="768" /></a><p class="wp-caption-text">Entrada do canion</p></div>
<p style="text-align:left;">Fim do passeio e consequentemente do trabalho, minha saga de turista no México estava apenas começando. Aproveitei minhas horas extra e fui encerrar esta viagem em um passeio na Cidade do México, umas das mais populosas do mundo e que é cercada pelas histórias de seus antepassados.<a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-0591.jpg"><img class="alignright" title="Canon del Sumidero" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-0591.jpg?w=258&#038;h=351" alt="" width="258" height="351" /></a> </p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:left;">Como estava com apenas dois dias livres, aproveitei para visitar os pontos mais turísticos: pirâmides de Teotihuacan, considerada a sede da civilização clássica no Vale do México, com história desde 600 a.C. e o Museu de Antropologia, um dos maiores do mundo.<a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-236.jpg"></a>   </p>
<p style="text-align:left;"> Teotihuacan é famosa pelas pirâmides do Sol e da Lua, ambas construidas por volta do século II d.C., que de acordo com os espanhois, foram construidas em homenagem aos ídolos: Sol e Lua.    </p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img title="Piramide da lua" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-236.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Vista da Piramide do Sol </p></div>
<p style="text-align:left;">  A estrutura destas pirâmides é composta principalmente por rochas vulcânicas: os tijolos, fragmentos de basaltos e vidros vulcânicos encontrados e a base de um cimento<a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-223.jpg"></a> pozolânico primário, extraido das cinzas vulcânicas que se encontravam por toda a parte.   </p>
<p style="text-align:left;">Vale a pena dizer que a região da Cidade do México, fundada pela civilização Azteca, é cercada de vulcões (o principal é o Vulcão Popocatépetl), e que até o início de século XV, por todos os lados existiam imensos lagos que isolavam a cidade dos demais povoados.   </p>
<p style="text-align:left;">Encerrando esta jornada, o Museu de antropologia abriga um dos maiores acervos de história antiga do mundo, e claro, vale muito a pena ser visitado pois resume toda a história das civilizações antigas do México e mostra o grande orgulho do povo mexicano de seus antepassados. <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-223.jpg"></a>   </p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mexico_2009-278.jpg"></a><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/localizacao-tuxtla.jpg"></a><!--more--></p>
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			<media:title type="html">Localização Tuxtla</media:title>
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			<media:title type="html">México_2009 156</media:title>
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			<media:title type="html">Vista geral da Mina</media:title>
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			<media:title type="html">Auxiliares de Campo</media:title>
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			<media:title type="html">Sinclinal</media:title>
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			<media:title type="html">Phoenix 136</media:title>
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			<media:title type="html">Turismo</media:title>
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			<media:title type="html">Canon del Sumidero</media:title>
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			<media:title type="html">Canon del Sumidero</media:title>
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			<media:title type="html">Piramide da lua</media:title>
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		<title>Os Cs da Bélgica &#8211; Por APBT</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 17:30:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>APBT</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Bélgica é famosa por dois excelentes Cs, o Chocolate e a Cerveja. Conheci os Cs em 2008 quando estava passeando por lá, após terminar a graduação. O chocolate belga é delicioso, hummmm! Mas por que é considerado o melhor do mundo, se o cacau é cultivado em regiões equatoriais? 1- Rigorosas regulamentações sobre a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=101&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mapabelgica1.jpg"></a></p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mapabelgica2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-125" title="MapaBelgica" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/mapabelgica2.jpg?w=300&#038;h=296" alt="" width="300" height="296" /></a>A Bélgica é famosa por dois excelentes Cs, o Chocolate e a Cerveja. Conheci os Cs em 2008 quando estava passeando por lá, após terminar a graduação.</p>
<p>O chocolate belga é delicioso, hummmm! Mas por que é considerado o melhor do mundo, se o cacau é cultivado em regiões equatoriais? 1- Rigorosas regulamentações sobre a composição do chocolate são aplicadas no país desde 1884. Para ser considerado chocolate, ou seja, para receber essa denominação, o produto deve conter no mínimo 35% de cacau puro. 2- Esse chocolate pode ser fragmentado em pedaços menores que 15-18μ (pra ter uma idéia mais geológica, esse tamanho pode ser comparado a um grão de silte fino de 8-15μ ou quando em tamanhos menores a granulação argila), granulação imperceptível pelas papilas gustativas da l<a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/sistcarst1.jpg"></a>íngua (por isso que a argila não pega quando colocamos na boca). 3- Para a fabricação do chocolate são escolhidos grãos de cacau de alta qualidade provenientes da Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Camarões, Indonésia, Equador e Brasil, a marca Côte d’Or ajuda a manter os padrões de qualidade elevados pois não poupa recursos para importar bons grãos.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/cotdor_chocolate.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-110" title="CotD'Or_chocolate" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/cotdor_chocolate.jpg?w=509&#038;h=191" alt="" width="509" height="191" /></a></p>
<p>A especialidade belga é o praliné, inventado em 1912 por Jean Neuhaus, que teve a idéia de fazer um recheio de chocolate com pedaços de avelã todo envolvido por uma capa/copinho de chocolate, um gostoso bombom.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/choco-neuhaus.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-112" title="Choco Neuhaus" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/choco-neuhaus.jpg?w=510&#038;h=274" alt="" width="510" height="274" /></a></p>
<p>E a cerveja? Diz a lenda que a cerveja era produzida durante a idade média em alguns monastérios, se assim foi, é por isso que desde 1515 os belgas já frequentavam os bares (Dlissinghe, Brugge) e tiveram muito tempo para degustar e aperfeiçoar a técnica.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/dlissinghe.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-114" title="Dlissinghe" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/dlissinghe.jpg?w=510&#038;h=340" alt="" width="510" height="340" /></a></p>
<p>Existem mais de 1500 tipos de cerveja belga, dentre as mais conhecidas estão: a Stella Artois, Alken Maes, Jupiler, Delirium tremens, Duvel, Kwak, La Binchoise, Leffe e Hoegaarden. </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-113" title="Cerveja" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/cerveja.jpg?w=509&#038;h=191" alt="" width="509" height="191" /></p>
<p>Tudo isso é pra dizer que além desses dois imbatíveis Cs, outros Cs mais geológicos me impressionaram bastante: os Carbonatos de Construção, as Cavernas de Dinant e as minas de Carvão de Liège.</p>
<p>Reparei que algumas casas antigas eram revestidas por uma pedra repleta de conchas, os carbonatos de construção. Num dos primeiros dias que estava na Antuérpia, fui encontrar minha irmã num prédio na Prins Leopoldstraat, aí pra minha surpresa vi ostracodes, foraminíferos e até espinha de peixe nas antigas paredes cinza esbranquiçadas.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/pinaparede.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-115" title="PinaParede" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/pinaparede.jpg?w=510&#038;h=633" alt="" width="510" height="633" /></a></p>
<p>Assim não só as casas como várias esculturas também foram feitas a partir de monoblocos de rocha carbonática semelhante.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/escultura-concha.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-116" title="Escultura concha" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/escultura-concha.jpg?w=510&#038;h=340" alt="" width="510" height="340" /></a></p>
<p>Vou confessar que não sei ao certo a origem/proveniência e idade dessas rochas, desconfio que sejam do Devoniano da Europa, período entre 416 e 359 milhões de anos (atrás), formadas em ambiente marinho. Os calcários, na maioria das vezes, são formados pelo acúmulo de organismos inferiores ou precipitação de carbonato de cálcio na forma de bicarbonatos, principalmente em meio marinho. Também podem ser encontrados em rios, lagos e no subsolo (cavernas).</p>
<div id="attachment_129" class="wp-caption alignright" style="width: 251px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/sistcarst2.jpg"><img class="size-medium wp-image-129   " title="SistCarst" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/sistcarst2.jpg?w=241&#038;h=300" alt="" width="241" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração esquemática da formação de cavernas e espeleotemas.</p></div>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/sistcarst.jpg"></a>E por falar em caverna, o outro C corresponde as cavernas formadas em rochas carbonáticas. Caverna é toda cavidade natural rochosa com dimensões que permitam acesso a seres humanos. O processo mais frequente de formação de cavernas é a dissolução da rocha pela água da chuva ou de rios (pocesso chamado carstificação), que ocorre em um tipo de paisagem chamado carste/sistema cárstico. As regiões cársticas podem ser caracterizadas por vegetação cerrada, relevo acidentado e alta permeabilidade do solo (escoamento rápido da água). O processo de carstificação ou dissolução química é resultado da combinação da água da chuva ou de rios superficiais com o dióxido de carbono (CO<sub>2</sub>) da atmosfera ou de raízes. O resultado é uma solução de ácido carbônico (H<sub>2</sub>CO<sub>3</sub>), que corrói e dissolve os minerais das rochas. A solução ácida escoa preferencialmente pelos planos de falha, fraturas e estratificações/acamamento. As intersecções entre esses planos se alargam aos poucos e tornam-se grandes galerias. Os minerais são lixiviados e os elementos são arrastados pelos rios subterrâneos ou para outras camadas, onde poderão se sedimentar novamente.</p>
<p>Dinant é localizada no vale do rio Meuse e também é famosa por ser a cidade natal de Adolphe Sax, o inventor do saxofone. A paisagem é digna de um cartão postal, o forte foi construído em cima das rochas no século XI e a Igreja foi reconstruída em estilo gótico, após um acidente (queda de blocos) em 1227.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/citadelle-dinant.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-118" title="Citadelle Dinant" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/citadelle-dinant.jpg?w=510&#038;h=382" alt="" width="510" height="382" /></a></p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/foliacao-dinant.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-119" title="Foliação Dinant" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/foliacao-dinant.jpg?w=510&#038;h=382" alt="" width="510" height="382" /></a></p>
<p>Depois de tirar umas fotos com a estátua do Adolphe Sax e ver a foliação das rochas, fui fazer uma visita turística a carverna &#8220;LA MERVEILLEUSE&#8221; e o mais inusitado foi encontrar andando pela caverna, uma mulher muçulmana de vestia véu e salto alto.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/habib-na-caverna.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-120" title="Habib na caverna" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/habib-na-caverna.jpg?w=510&#038;h=680" alt="" width="510" height="680" /></a></p>
<p>Os espeleotemas eram bonitos mas prefiro muito mais os do PETAR. Espeleotema é o nome genérico de todas as formações rochosas que ocorrem tipicamente no interior de cavernas como resultado da sedimentação e recristalização de minerais (principalmente calcita e dolomita).</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/caverna-dentro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-121" title="Cavdentro" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/caverna-dentro.jpg?w=510&#038;h=382" alt="" width="510" height="382" /></a></p>
<div id="attachment_137" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/coal2.jpg"><img class="size-medium wp-image-137" title="Coal" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/coal2.jpg?w=300&#038;h=183" alt="" width="300" height="183" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração esquemática da formação de carvão</p></div>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/coal.jpg"></a>E o derradeiro C é o do Carvão. O carvão é um combustível fóssil composto por átomos de carbono, oxigênio, nitrogênio, enxofre, associados a outras rochas (arenito, siltito, folhelhos e diamictitos) e minerais (pirita), formado pela decomposição da matéria orgânica (restos de árvores e plantas) durante milhões de anos, sob determinadas condições de temperatura e pressão. <a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/coal1.jpg"></a>O Carbonífero é o período da era Paleoóica, do éon Fanerozóico, que compreende aproximadamente o intervalo entre 359 milhões e 299 milhões de anos atrás. O período tem este nome devido as grandes quantidades de carvão encontradas em formações rochosas da época na Inglaterra. A gênese de carvão está associada a ocorrência de grandes florestas e pântanos que cobriam a maior parte das terras imersas nesse período. Durante a revolução industrial, a região da Valônia (parte sul da Bélgica) seguiu os passos do Reino Unido e capitalizou extensos depósitos de carvão e ferro, o que trouxe prosperidade a região. O carvão aflora em maior parte da região e a natureza dobrada das rochas possibilitou ocorrências superficiais abundantes de carvão, não sendo necessário minerar em profundidade no ínicio da exploração. As concessões seguiam um sistema complexo e em alguns casos multiplas camadas pertenciam a donos diferentes. Depois iniciaram a exploração em minas profundas, sendo que em 1866 algumas minas alcançaram 700-900 metros de profundidade, uma chegou a 1065m provavelmente a mais profunda da Europa na época.</p>
<p>Num dia nublado resolvi procurar uma mina de carvão, próxima a Liége, encontrei uma mina desativada aberta à visitação.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/blelgny-mina.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-122" title="Blelgny mina" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/blelgny-mina.jpg?w=510&#038;h=338" alt="" width="510" height="338" /></a></p>
<p>Quando cheguei na mina de Blelgny, me deparei com um homem que tinha cara de desenho animado, ele era bem simpático, mas nesse dia a comunicação estava bem difícil pois não entendo nada de francês, então fiquei um tanto acanhada e não puxei assunto. Alguns minutos depois fui descobrir que ele era português e o nome dele era Antonio, igual do meu pai. Aí conversamos muito e quando disse que pra chegar lá peguei trem, ônibus, caminhei e tal&#8230;acho que ele se comoveu e até me deu o lanche dele, tipo paizão mesmo.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/eu-e-antonio1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-130" title="Eu e Antonio" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/eu-e-antonio1.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a>A história dele é bonit<a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/02/eu-e-antonio.jpg"></a>a, ele trabalhou na mina desde os 17 anos e sabia tudo sobre o carvão, agora os filhos deles são todos casados e parece que ele tem uma vida confortável financeiramente, só não sei quanto à saúde porque esse trabalho é insalubre e de alto risco, percebi que ele tossia bastante. Na época de exploração, as explosões e o gás liberado eram um problema sério e a Bélgica possuía a maior taxa de mortalidade em minas de carvão. Ele contou que nos primórdios da mineração de carvão, as crianças também trabalhavam porque por serem pequenas, podiam entrar em frestas e buracos menores para recolher os pedaços de carvão que tinham se soltado das paredes após as explosões realizadas na mina. </p>
<p>Achei engraçado o causo de que quando alguma família saía pra trabalhar e deixava seu bebê em casa, as mães colocavam uma pinguinha no bico da mamadeira pra criança dormir igual um anjinho&#8230;No final da visita ganhei um pedação brilhante de carvão! Obrigada Antonio!</p>
<p>Quem diria que um dos países baixos e pequeno em área, além de fascinante gastronomicamente, seria interessante geologicamente&#8230;oops era pra escrever sobre os Cs e não sobre os Gs. Algum dia a Talita também escreve sobre o D dos Diamantes.</p>
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			<media:title type="html">Choco Neuhaus</media:title>
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		<title>Um passeio pelo altiplano peruano</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 19:52:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>salma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geo-Engenharia]]></category>
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		<description><![CDATA[“Deixa comigo que a partir daqui eu vou saber dirigir melhor que você”. São as palavras do Sr. Omar, o engenheiro peruano, para o motorista, logo que a caminhonete sai da rodovia asfaltada e entra na estrada de terra. Estamos na região de Ondores, na Cordilheira Central dos Andes Peruanos, a mais ou menos 4000m [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=natgeologic.wordpress.com&amp;blog=11261046&amp;post=33&amp;subd=natgeologic&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/geologia1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-89" title="Geologia" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/geologia1.jpg?w=510&#038;h=197" alt="" width="510" height="197" /></a></p>
<p>“Deixa comigo que a partir daqui eu vou saber dirigir melhor que você”. São as palavras do Sr. Omar, o engenheiro peruano, para o motorista, logo que a caminhonete sai da rodovia asfaltada e entra na estrada de terra. Estamos na região de Ondores, na Cordilheira Central dos Andes Peruanos, a mais ou menos 4000m de altitude. Um pouco desconfiado, o motorista até aceita o pedido do engenheiro e entramos no que mais parece uma trilha de acesso local, com largura de um carro.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/peru-detail-mod2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-96" title="Mapa" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/peru-detail-mod2.jpg?w=300&#038;h=138" alt="" width="300" height="138" /></a>Nosso objetivo era dar uma rápida olhada no terreno onde construiriam um sistema de uns 40km de extensão, que incluiria uma barragem e uma série de canais para coletar a água de degelo das montanhas e, assim, incrementar o abastecimento à cidade de Lima.</p>
<p>Os canais deveriam ser apoiados em um terreno firme, senão eles poderiam correr o risco de se quebrarem e perderem toda a água. Além disso, deveríamos verificar quais eram as condições do lugar onde iriam apoiar a barragem &#8211; seria firme o suficiente? Precisaríamos remover alguma lama?</p>
<p>A estradinha de terra, assim como a rodovia em que estávamos, é cheia de zigue-zagues para amenizar a grande inclinação da subida. O Sr. Omar ignora o traçado e sobe em linha reta, abusando da tração 4&#215;4 do veículo. Estávamos em um lugar ermo, mas aberto, com vegetação rasteira. Ainda bem! Isso permite uma visão ampla do vale ao nosso lado, cercado por montanhas imensas e pontiagudas.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/vale-em-u2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-72" title="Vale em U" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/vale-em-u2.jpg?w=510&#038;h=266" alt="" width="510" height="266" /></a></p>
<div id="attachment_45" class="wp-caption alignright" style="width: 190px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/alpine1.gif"><img class="size-thumbnail wp-image-45" title="Geleira-esquema" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/alpine1.gif?w=180&#038;h=106" alt="" width="180" height="106" /></a><p class="wp-caption-text">Esquema de uma geleira</p></div>
<p>Se você cortar esse vale na transversal, vai notar que ele tem a forma de “U”, típico de um relevo esculpido pela passagem de uma geleira. As geleiras são basicamente gelo, e são feições imensas que têm alto poder de transporte: podem carregar e arrastar blocos de praticamente qualquer tamanho. Assim, podem-se acumular materiais rochosos soltos ao lado, à frente, embaixo e sobre a massa de gelo. Estes depósitos são genericamente chamados de “morenas” (piadinhas à parte, o termo vem de um dialeto francês e significa “monte de terra”).</p>
<div id="attachment_48" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/morenas1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-50" title="Morenas" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/morenas1.jpg?w=510&#038;h=325" alt="" width="510" height="325" /></a>Hoje as geleiras já não caminham pelo vale, mas as morenas continuam ali, sob a vegetação rasteira, e saltam aos olhos como montinhos arredondados soltos nas planícies. </dt>
</dl>
</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/dscn0685_0610_113_peru3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-97" title="DSCN0685_0610_113_PERU" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/dscn0685_0610_113_peru3.jpg?w=510&#038;h=301" alt="" width="510" height="301" /></a>No ponto mais alto da estrada atingimos 5200m de altitude. Daqui podemos ver picos nevados ao longe (estávamos no verão – no inverno toda a região seria nevada). À beira da estrada existem uns montinhos de pedras empilhadas, mas até hoje eu não sei pra quê servem. </dt>
</dl>
</div>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/mega-panorama2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-98" title="Mega Panorama" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/mega-panorama2.jpg?w=510&#038;h=75" alt="" width="510" height="75" /></a></p>
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<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/panorama-6-marcapomacocha-at-night.jpg"><img class="size-full wp-image-74" title="Marcapomacocha" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/panorama-6-marcapomacocha-at-night.jpg?w=509&#038;h=194" alt="" width="509" height="194" /></a><p class="wp-caption-text">Andamos mais alguns quilômetros e, ao final do dia, chegamos num lago e fomos presenteados com um magnífico pôr do sol sobre as águas calmas da Laguna Marcapomacocha.</p></div>
<p>Pegamos o mesmo caminho para voltar ao vilarejo de San Mateo, na subida da Carretera Numero 20, a 3600m de altitude. Trata-se de um aglomerado de casebres, pequenas vendas, um posto de gasolina e um “super complexo” com 2 hotéis e um restaurante. San Mateo é um lugar curioso. Aparentemente seus habitantes são todos baixinhos e com voz de pato. Lá eu tive a experiência de mascar folhas de coca para amenizar os efeitos da altitude. Até consegui dormir bem, mas acordei com o estômago embrulhado. Acho que o ar rarefeito (ou a coca) altera a ação do metabolismo.</p>
<p>O sol iluminou os paredões rochosos e voltamos à nossa área. Seria um longo dia – rodaríamos ainda quase 250km na estrada de terra e teríamos ainda que descer de novo a Lima para pegar o avião de volta ao Brasil.</p>
<p><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/alpacas.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-76" title="Alpacas" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/alpacas.jpg?w=150&#038;h=115" alt="" width="150" height="115" /></a>Cruzamos novamente o vale em “U”, encontrando espalhadas pelo campo muitas ovelhas, alpacas e, mais raro, lhamas (eu não iria ficar satisfeito de ir ao Peru sem ver seu animal-símbolo).</p>
<p>Os processos que formam as rochas que observamos são antigos e complexos e para entendê-los é preciso dar uma olhada em como se comporta a Cordilheira dos Andes.</p>
<p>A Cordilheira é resultado do choque entre duas placas tectônicas. A Placa de Nazca, a oeste, é densa e está sob o Oceano Pacífico próximo ao continente. A Placa Sul-Americana, a leste, é menos densa e, como o próprio nome diz, sustenta todo o continente sul-americano. Neste encontro, a placa mais densa tende a descer e a menos densa tende a subir. Portanto, a Placa de Nazca está escorregando por debaixo da porção oeste da América do Sul.</p>
<div id="attachment_78" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/subduction2.gif"><img class="size-thumbnail wp-image-78" title="Subduction2" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/subduction2.gif?w=150&#038;h=80" alt="" width="150" height="80" /></a><p class="wp-caption-text">Esquema de contato de placas do tipo Andino</p></div>
<p>O atrito entre as placas faz com que parte do material se funda, criando magma, que sobe e forma vulcões em superfície – que jorram lava e cinzas vulcânicas –, e a acumulação de magma em profundidade cria rochas como granitos e outras do mesmo tipo.</p>
<p>Como é de se esperar, as altas montanhas são erodidas e os detritos, ou sedimentos, são levados tanto para frente (próximo ao mar) quanto para trás da cordilheira (próximo ao interior do continente), criando depósitos de acumulação denominados de Bacias Sedimentares.</p>
<p>Como está tudo sendo comprimido, a massa rochosa da crosta, misturada com os sedimentos das bacias, se deformam, criando rochas com belíssimos desenhos sinuosos (chamados de “dobras” – pois é exatamente isso que acontece com as rochas, elas são dobradas como se fosse um bloco de papel sendo torcido).</p>
<div id="attachment_81" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/panorama-4-tunel-cashapampa.jpg"><img class="size-full wp-image-81" title="Cashapampa" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/panorama-4-tunel-cashapampa.jpg?w=510&#038;h=173" alt="" width="510" height="173" /></a><p class="wp-caption-text">Paisagem - com rochas dobradas!</p></div>
<p>Durante a deformação as rochas são transformadas pelo aumento de temperatura e pressão; os materiais são forçados a se rearranjar para estas novas condições, e a partir disso desenvolvem-se rochas modificadas, com novos minerais e formas, chamadas de rochas metamórficas.</p>
<p>Assim, os Andes são um ambiente extremamente rico e diverso em que não apenas são observadas, mas se formam constantemente as três grandes famílias de rochas da natureza: as rochas “ígneas”, formadas pelo resfriamento do magma, tanto em superfície quanto no interior da crosta; as rochas “sedimentares”, formadas pela acumulação de detritos nas bacias; e as rochas “metamórficas”, formadas pela transformação forçada das rochas.</p>
<div id="attachment_82" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/barragem-existente.jpg"><img class="size-full wp-image-82" title="Barragem" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/barragem-existente.jpg?w=510&#038;h=213" alt="" width="510" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">Esta região já tem algumas barragens e canais para a coleta de água. Assim, surgem na paisagem imensos lagos artificiais no pé das montanhas, criando um magnífico contraste entre rocha e água.</p></div>
<p>Olhando o terreno de uma maneira geral e bem rapidamente conseguimos observar que na base do vale em &#8220;U&#8221; estão depositadas argilas muito moles junto às morenas, o que poderia ser um grande risco para as estruturas que iriam implantar ali. Inclusive, nos canais já construídos há trincas em alguns lugares, o que significa que o terreno não é o mais adequado para se apoiar o concreto diretamente. Nas encostas, também, existe muito material solto, rolado do alto dos morros. Apoiar as estruturas em material solto nunca  é uma boa idéia, imagine ainda se acontecer um terremoto (que é bem comum nesse tipo de ambiente)&#8230;</p>
<div id="attachment_83" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/vilareco.jpg"><img class="size-full wp-image-83" title="Vilareco" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/vilareco.jpg?w=510&#038;h=274" alt="" width="510" height="274" /></a><p class="wp-caption-text">O lugar é extremamente ermo mas mesmo assim encontramos civilização: brotam vilarejos minúsculos com menos de 500m2 de área, com casebres pobres sem muita infra-estrutura. No centro destas vilas, há sempre uma praça com uma fonte – que mais parece um narghile.</p></div>
<p>Andar a pé nessa altitude é extremamente desgastante. Falta fôlego depois de caminhar 100m, como se você tivesse acabado de correr muito rápido.</p>
<p>O lugar onde implementariam a barragem é no canto da Laguna Huascacocha. O terreno é muito suave, parecendo até muito plano para se colocar um barramento. Há ali uma grande quantidade de argila, misturada com os depósitos glaciais das morenas. Não parece ser o lugar mais adequado para uma construção deste porte, mas como dizem os engenheiros, &#8220;você pode tentar eliminar o risco, ou conviver com ele&#8221;.</p>
<div id="attachment_84" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/panorama-9-huascacocha-3.jpg"><img class="size-full wp-image-84" title="Panorama 9 - huascacocha 3" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/panorama-9-huascacocha-3.jpg?w=510&#038;h=166" alt="" width="510" height="166" /></a><p class="wp-caption-text">Laguna Huascacocha</p></div>
<div id="attachment_85" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/vale-em-v.jpg"><img class="size-full wp-image-85" title="Vale em V" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/vale-em-v.jpg?w=510&#038;h=382" alt="" width="510" height="382" /></a><p class="wp-caption-text">Após nossa breve inspeção da área fizemos o caminho de volta por trás das montanhas e passamos a vislumbrar uma paisagem totalmente diferente: ao nosso lado, um vale na forma de “V”, indicando que neste caso o relevo foi esculpido pela ação de um rio.</p></div>
<div id="attachment_86" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/cidade-albergue.jpg"><img class="size-full wp-image-86" title="Cidade albergue" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/cidade-albergue.jpg?w=510&#038;h=257" alt="" width="510" height="257" /></a><p class="wp-caption-text">Ao final da tarde chegamos a uma área aberta do vale, em que havia uma pequena cidade &quot;pendurada&quot; na encosta. A região não deixava de ser um lugar ermo e distante de tudo e, mesmo assim, nossa parada para ir ao banheiro foi um albergue!! Realmente, qualquer canto longínquo dos Andes é atração turística, e já sei onde me hospedar quando voltar aqui. </p></div>
<p>Após o cair da noite entramos em outra rodovia asfaltada. Foi um dos momentos mais tensos da minha vida: a rodovia não tinha iluminação, a sinalização era precária, mal havia uma faixa pintada no chão, era forrada de curvas, sem acostamento, e o que separava o carro de um abismo de provavelmente algumas centenas de metros era um guard-rail torto e enferrujado, mas nada disso afligia o Sr. Omar, que manejava o carro com certa segurança, e raramente deixava o ponteiro do velocímetro ficar abaixo dos 100km/h.</p>
<p>Chegamos a Lima. Terminou-se nossa blitz. Quero um dia voltar aos Andes com um pouco mais de tempo para poder, na próxima vez, apreciar seu povo e sua natureza – com muita atenção, é claro, para a geologia!</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow:hidden;position:absolute;left:-10000px;top:565px;width:1px;height:1px;"><a href="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/vale-em-u1.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-43" title="Vale em U" src="http://natgeologic.files.wordpress.com/2010/01/vale-em-u1.jpg?w=150&#038;h=112" alt="" width="150" height="112" /></a></div>
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