Geologia Asteca

24 02 2010

Talita, você se vira bem com espanhol?? Essa foi a primeira pergunta que meu chefe me fez ao saber que o contrato de amostragem havia sido fechado!! Eu, sem ao menos saber o que me esperava respondi: nunca tive contato com a língua, mas devo me virar bem com o portunhol!!  

E assim começava minha saga rumo ao México. O trabalho estava sendo cogitado fazia um tempão e antes de se decidir que eu iria fazer o trabalho de amostragem (coletar pedaços de rocha na superfície), meu chefe esteve por lá viajando por diversas cidades e procurando locais onde ocorressem depósitos de argila e calcário para quem sabe, futuramente, servirem de alvos a pesquisa.   

A cidade escolhida, não só por já existir infra-estrutura local da empresa contratante, mas também por ter ótimas exposições de calcário, foi Tuxtla Gutiérrez, capital do Estado de Chipas, a sul da Península de Yucatán, e muito, mas muito longe do mar.  O trabalho em si era corriqueiro, tinha que fazer amostragem em frente de lavra e verificar nas proximidades a possível ocorrência de argilas. Com isso, todas as instruções foram passadas e, como meu chefe estava mais ansioso do que eu, me passou várias recomendações: cuidado com isso, cuidado com aquilo, você não estará no Brasil, etc., mais parecia a minha mãe quando eu fui fazer a primeira viagem de campo da faculdade.    

Recomendações dadas, mala arrumada, visto concedido, lá fui eu embarcar para a Cidade do México. O voo é bem longo, dura umas 9 horas, e eu como boa marinheira de primeira viagem, passei meu primeiro aperto na hora do jantar. ? Pasta ou Pollo? Na hora que me perguntaram, nem entendi direito o que era cada coisa, pedi o primeiro e por sorte, o raviolli estava delicioso!!   

Mais algumas saias justas na fila da imigração, no embarque doméstico e finalmente desembarco no aeroporto de Tuxtla Gutierrez, onde o engenheiro local me esperava. A hora local era aproximadamente 13 horas, mas o meu horário biológico já estava passando das 16 e eu estava apenas com o café da manhã servido no avião. O dia estava praticamente perdido e só me restava almoçar com o meu acompanhante experimentar a famosa comida mexicana. Nesse momento descobri que “salsa” nada mais é do que molho de pimenta forte e que eu ia ter que me acostumar!!   

Os primeiros dias foram um tanto quanto difíceis, principalmente pelo fato de ter lidar com trabalhadores locais e que raramente entendiam o que eu falava e, secundariamente, pela grande discrepância de horários: 1) meu café da manhã era antes de começar a trabalhar, o deles é bem no meio da manhã; 2) meu horário de almoço é das 12 às 13 horas, o deles é indeterminado a partir das 15 horas.   

 Foi um pouco complicado chegar a um consenso geral, mas depois de algumas horas paradas embaixo do sol, alguns lanches apimentados na hora do almoço, não teve mistério, grandes paredões de calcário, onde eu deveria orientar os ajudantes a coletar pequenos fragmentos de rocha ao longo de uma canaleta de no máximo 5 metros de altura e, sol, muito sol na cabeça!!    

Os calcários do México são bastante conhecidos, principalmente porque serviram de matéria prima para a 3º maior produtora de cimento do mundo: Cemex.   

O cimento é um pó fino com propriedades aglomerantes, aglutinantes ou ligantes, que endurece sob a ação da água. Este pó é composto por calcário e argila, que após vários processos ponderados de mistura, queima e homogeneização gera a principal matéria prima do cimento, denominado clínquer. Esse clínquer, misturado com alguns outros componentes (pozolana, gesso, escória) é o que forma o cimento que chega até os consumidores, cimento esse que é o segundo material mais consumido do mundo, perdendo apenas para a água.   

Geologicamente falando, o depósito carbonático nesta região encontra-se sob o domínio de calcários do Cretáceo Superior relativos à Formação Ocozocouatla - Angostura que ocupa o núcleo da Sinclinal de Ocozocouatla.    

A cidade se aloja bem nocentro da dobra, e a montanha ao fundo equivale a o flanco da dobra.

A formação das rochas carbonáticas está associada a ambientes marinho raso, de águas quentes, calmas e transparentes, onde ocorre a precipitação do carbonato de cálcio, que tem origem variada, desde fósseis de carapaças e esqueletos calcários de organismos vivos, que compõem os calcários fossilíferos, até por precipitação química.  O calcário que fui procurar tinha que ser propício à fabricação de cimento, e para tanto, deveria apresentar teores de CaO > 51%, mas isso eu só iria saber após as análises químicas. Adiantando um pouco os fatos, os calcários amostrados apresentaram teores muito acima do desejado (~54% CaO). 

Depois de 8 dias de trabalho corrido, sem ao menos ter tempo para passear um pouquinho, partir para a segunda etapa do trabalho, que era prospectar nas redondezas algum depósito de argila. A argila também é outro componente bastante importante à fabricação do cimento, sem ele não é possível fabricar o clínquer e sem isso não podemos fabricar o cimento.   

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Os Cs da Bélgica – Por APBT

7 02 2010

A Bélgica é famosa por dois excelentes Cs, o Chocolate e a Cerveja. Conheci os Cs em 2008 quando estava passeando por lá, após terminar a graduação.

O chocolate belga é delicioso, hummmm! Mas por que é considerado o melhor do mundo, se o cacau é cultivado em regiões equatoriais? 1- Rigorosas regulamentações sobre a composição do chocolate são aplicadas no país desde 1884. Para ser considerado chocolate, ou seja, para receber essa denominação, o produto deve conter no mínimo 35% de cacau puro. 2- Esse chocolate pode ser fragmentado em pedaços menores que 15-18μ (pra ter uma idéia mais geológica, esse tamanho pode ser comparado a um grão de silte fino de 8-15μ ou quando em tamanhos menores a granulação argila), granulação imperceptível pelas papilas gustativas da língua (por isso que a argila não pega quando colocamos na boca). 3- Para a fabricação do chocolate são escolhidos grãos de cacau de alta qualidade provenientes da Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Camarões, Indonésia, Equador e Brasil, a marca Côte d’Or ajuda a manter os padrões de qualidade elevados pois não poupa recursos para importar bons grãos.

A especialidade belga é o praliné, inventado em 1912 por Jean Neuhaus, que teve a idéia de fazer um recheio de chocolate com pedaços de avelã todo envolvido por uma capa/copinho de chocolate, um gostoso bombom.

E a cerveja? Diz a lenda que a cerveja era produzida durante a idade média em alguns monastérios, se assim foi, é por isso que desde 1515 os belgas já frequentavam os bares (Dlissinghe, Brugge) e tiveram muito tempo para degustar e aperfeiçoar a técnica.

Existem mais de 1500 tipos de cerveja belga, dentre as mais conhecidas estão: a Stella Artois, Alken Maes, Jupiler, Delirium tremens, Duvel, Kwak, La Binchoise, Leffe e Hoegaarden. 

Tudo isso é pra dizer que além desses dois imbatíveis Cs, outros Cs mais geológicos me impressionaram bastante: os Carbonatos de Construção, as Cavernas de Dinant e as minas de Carvão de Liège.

Reparei que algumas casas antigas eram revestidas por uma pedra repleta de conchas, os carbonatos de construção. Num dos primeiros dias que estava na Antuérpia, fui encontrar minha irmã num prédio na Prins Leopoldstraat, aí pra minha surpresa vi ostracodes, foraminíferos e até espinha de peixe nas antigas paredes cinza esbranquiçadas.

Assim não só as casas como várias esculturas também foram feitas a partir de monoblocos de rocha carbonática semelhante.

Vou confessar que não sei ao certo a origem/proveniência e idade dessas rochas, desconfio que sejam do Devoniano da Europa, período entre 416 e 359 milhões de anos (atrás), formadas em ambiente marinho. Os calcários, na maioria das vezes, são formados pelo acúmulo de organismos inferiores ou precipitação de carbonato de cálcio na forma de bicarbonatos, principalmente em meio marinho. Também podem ser encontrados em rios, lagos e no subsolo (cavernas).

Ilustração esquemática da formação de cavernas e espeleotemas.

E por falar em caverna, o outro C corresponde as cavernas formadas em rochas carbonáticas. Caverna é toda cavidade natural rochosa com dimensões que permitam acesso a seres humanos. O processo mais frequente de formação de cavernas é a dissolução da rocha pela água da chuva ou de rios (pocesso chamado carstificação), que ocorre em um tipo de paisagem chamado carste/sistema cárstico. As regiões cársticas podem ser caracterizadas por vegetação cerrada, relevo acidentado e alta permeabilidade do solo (escoamento rápido da água). O processo de carstificação ou dissolução química é resultado da combinação da água da chuva ou de rios superficiais com o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera ou de raízes. O resultado é uma solução de ácido carbônico (H2CO3), que corrói e dissolve os minerais das rochas. A solução ácida escoa preferencialmente pelos planos de falha, fraturas e estratificações/acamamento. As intersecções entre esses planos se alargam aos poucos e tornam-se grandes galerias. Os minerais são lixiviados e os elementos são arrastados pelos rios subterrâneos ou para outras camadas, onde poderão se sedimentar novamente.

Dinant é localizada no vale do rio Meuse e também é famosa por ser a cidade natal de Adolphe Sax, o inventor do saxofone. A paisagem é digna de um cartão postal, o forte foi construído em cima das rochas no século XI e a Igreja foi reconstruída em estilo gótico, após um acidente (queda de blocos) em 1227.

Depois de tirar umas fotos com a estátua do Adolphe Sax e ver a foliação das rochas, fui fazer uma visita turística a carverna “LA MERVEILLEUSE” e o mais inusitado foi encontrar andando pela caverna, uma mulher muçulmana de vestia véu e salto alto.

Os espeleotemas eram bonitos mas prefiro muito mais os do PETAR. Espeleotema é o nome genérico de todas as formações rochosas que ocorrem tipicamente no interior de cavernas como resultado da sedimentação e recristalização de minerais (principalmente calcita e dolomita).

Ilustração esquemática da formação de carvão

E o derradeiro C é o do Carvão. O carvão é um combustível fóssil composto por átomos de carbono, oxigênio, nitrogênio, enxofre, associados a outras rochas (arenito, siltito, folhelhos e diamictitos) e minerais (pirita), formado pela decomposição da matéria orgânica (restos de árvores e plantas) durante milhões de anos, sob determinadas condições de temperatura e pressão. O Carbonífero é o período da era Paleoóica, do éon Fanerozóico, que compreende aproximadamente o intervalo entre 359 milhões e 299 milhões de anos atrás. O período tem este nome devido as grandes quantidades de carvão encontradas em formações rochosas da época na Inglaterra. A gênese de carvão está associada a ocorrência de grandes florestas e pântanos que cobriam a maior parte das terras imersas nesse período. Durante a revolução industrial, a região da Valônia (parte sul da Bélgica) seguiu os passos do Reino Unido e capitalizou extensos depósitos de carvão e ferro, o que trouxe prosperidade a região. O carvão aflora em maior parte da região e a natureza dobrada das rochas possibilitou ocorrências superficiais abundantes de carvão, não sendo necessário minerar em profundidade no ínicio da exploração. As concessões seguiam um sistema complexo e em alguns casos multiplas camadas pertenciam a donos diferentes. Depois iniciaram a exploração em minas profundas, sendo que em 1866 algumas minas alcançaram 700-900 metros de profundidade, uma chegou a 1065m provavelmente a mais profunda da Europa na época.

Num dia nublado resolvi procurar uma mina de carvão, próxima a Liége, encontrei uma mina desativada aberta à visitação.

Quando cheguei na mina de Blelgny, me deparei com um homem que tinha cara de desenho animado, ele era bem simpático, mas nesse dia a comunicação estava bem difícil pois não entendo nada de francês, então fiquei um tanto acanhada e não puxei assunto. Alguns minutos depois fui descobrir que ele era português e o nome dele era Antonio, igual do meu pai. Aí conversamos muito e quando disse que pra chegar lá peguei trem, ônibus, caminhei e tal…acho que ele se comoveu e até me deu o lanche dele, tipo paizão mesmo.

A história dele é bonita, ele trabalhou na mina desde os 17 anos e sabia tudo sobre o carvão, agora os filhos deles são todos casados e parece que ele tem uma vida confortável financeiramente, só não sei quanto à saúde porque esse trabalho é insalubre e de alto risco, percebi que ele tossia bastante. Na época de exploração, as explosões e o gás liberado eram um problema sério e a Bélgica possuía a maior taxa de mortalidade em minas de carvão. Ele contou que nos primórdios da mineração de carvão, as crianças também trabalhavam porque por serem pequenas, podiam entrar em frestas e buracos menores para recolher os pedaços de carvão que tinham se soltado das paredes após as explosões realizadas na mina. 

Achei engraçado o causo de que quando alguma família saía pra trabalhar e deixava seu bebê em casa, as mães colocavam uma pinguinha no bico da mamadeira pra criança dormir igual um anjinho…No final da visita ganhei um pedação brilhante de carvão! Obrigada Antonio!

Quem diria que um dos países baixos e pequeno em área, além de fascinante gastronomicamente, seria interessante geologicamente…oops era pra escrever sobre os Cs e não sobre os Gs. Algum dia a Talita também escreve sobre o D dos Diamantes.





Um passeio pelo altiplano peruano

20 01 2010

“Deixa comigo que a partir daqui eu vou saber dirigir melhor que você”. São as palavras do Sr. Omar, o engenheiro peruano, para o motorista, logo que a caminhonete sai da rodovia asfaltada e entra na estrada de terra. Estamos na região de Ondores, na Cordilheira Central dos Andes Peruanos, a mais ou menos 4000m de altitude. Um pouco desconfiado, o motorista até aceita o pedido do engenheiro e entramos no que mais parece uma trilha de acesso local, com largura de um carro.

Nosso objetivo era dar uma rápida olhada no terreno onde construiriam um sistema de uns 40km de extensão, que incluiria uma barragem e uma série de canais para coletar a água de degelo das montanhas e, assim, incrementar o abastecimento à cidade de Lima.

Os canais deveriam ser apoiados em um terreno firme, senão eles poderiam correr o risco de se quebrarem e perderem toda a água. Além disso, deveríamos verificar quais eram as condições do lugar onde iriam apoiar a barragem – seria firme o suficiente? Precisaríamos remover alguma lama?

A estradinha de terra, assim como a rodovia em que estávamos, é cheia de zigue-zagues para amenizar a grande inclinação da subida. O Sr. Omar ignora o traçado e sobe em linha reta, abusando da tração 4×4 do veículo. Estávamos em um lugar ermo, mas aberto, com vegetação rasteira. Ainda bem! Isso permite uma visão ampla do vale ao nosso lado, cercado por montanhas imensas e pontiagudas.

Esquema de uma geleira

Se você cortar esse vale na transversal, vai notar que ele tem a forma de “U”, típico de um relevo esculpido pela passagem de uma geleira. As geleiras são basicamente gelo, e são feições imensas que têm alto poder de transporte: podem carregar e arrastar blocos de praticamente qualquer tamanho. Assim, podem-se acumular materiais rochosos soltos ao lado, à frente, embaixo e sobre a massa de gelo. Estes depósitos são genericamente chamados de “morenas” (piadinhas à parte, o termo vem de um dialeto francês e significa “monte de terra”).

Hoje as geleiras já não caminham pelo vale, mas as morenas continuam ali, sob a vegetação rasteira, e saltam aos olhos como montinhos arredondados soltos nas planícies.
No ponto mais alto da estrada atingimos 5200m de altitude. Daqui podemos ver picos nevados ao longe (estávamos no verão – no inverno toda a região seria nevada). À beira da estrada existem uns montinhos de pedras empilhadas, mas até hoje eu não sei pra quê servem.

Andamos mais alguns quilômetros e, ao final do dia, chegamos num lago e fomos presenteados com um magnífico pôr do sol sobre as águas calmas da Laguna Marcapomacocha.

Pegamos o mesmo caminho para voltar ao vilarejo de San Mateo, na subida da Carretera Numero 20, a 3600m de altitude. Trata-se de um aglomerado de casebres, pequenas vendas, um posto de gasolina e um “super complexo” com 2 hotéis e um restaurante. San Mateo é um lugar curioso. Aparentemente seus habitantes são todos baixinhos e com voz de pato. Lá eu tive a experiência de mascar folhas de coca para amenizar os efeitos da altitude. Até consegui dormir bem, mas acordei com o estômago embrulhado. Acho que o ar rarefeito (ou a coca) altera a ação do metabolismo.

O sol iluminou os paredões rochosos e voltamos à nossa área. Seria um longo dia – rodaríamos ainda quase 250km na estrada de terra e teríamos ainda que descer de novo a Lima para pegar o avião de volta ao Brasil.

Cruzamos novamente o vale em “U”, encontrando espalhadas pelo campo muitas ovelhas, alpacas e, mais raro, lhamas (eu não iria ficar satisfeito de ir ao Peru sem ver seu animal-símbolo).

Os processos que formam as rochas que observamos são antigos e complexos e para entendê-los é preciso dar uma olhada em como se comporta a Cordilheira dos Andes.

A Cordilheira é resultado do choque entre duas placas tectônicas. A Placa de Nazca, a oeste, é densa e está sob o Oceano Pacífico próximo ao continente. A Placa Sul-Americana, a leste, é menos densa e, como o próprio nome diz, sustenta todo o continente sul-americano. Neste encontro, a placa mais densa tende a descer e a menos densa tende a subir. Portanto, a Placa de Nazca está escorregando por debaixo da porção oeste da América do Sul.

Esquema de contato de placas do tipo Andino

O atrito entre as placas faz com que parte do material se funda, criando magma, que sobe e forma vulcões em superfície – que jorram lava e cinzas vulcânicas –, e a acumulação de magma em profundidade cria rochas como granitos e outras do mesmo tipo.

Como é de se esperar, as altas montanhas são erodidas e os detritos, ou sedimentos, são levados tanto para frente (próximo ao mar) quanto para trás da cordilheira (próximo ao interior do continente), criando depósitos de acumulação denominados de Bacias Sedimentares.

Como está tudo sendo comprimido, a massa rochosa da crosta, misturada com os sedimentos das bacias, se deformam, criando rochas com belíssimos desenhos sinuosos (chamados de “dobras” – pois é exatamente isso que acontece com as rochas, elas são dobradas como se fosse um bloco de papel sendo torcido).

Paisagem - com rochas dobradas!

Durante a deformação as rochas são transformadas pelo aumento de temperatura e pressão; os materiais são forçados a se rearranjar para estas novas condições, e a partir disso desenvolvem-se rochas modificadas, com novos minerais e formas, chamadas de rochas metamórficas.

Assim, os Andes são um ambiente extremamente rico e diverso em que não apenas são observadas, mas se formam constantemente as três grandes famílias de rochas da natureza: as rochas “ígneas”, formadas pelo resfriamento do magma, tanto em superfície quanto no interior da crosta; as rochas “sedimentares”, formadas pela acumulação de detritos nas bacias; e as rochas “metamórficas”, formadas pela transformação forçada das rochas.

Esta região já tem algumas barragens e canais para a coleta de água. Assim, surgem na paisagem imensos lagos artificiais no pé das montanhas, criando um magnífico contraste entre rocha e água.

Olhando o terreno de uma maneira geral e bem rapidamente conseguimos observar que na base do vale em “U” estão depositadas argilas muito moles junto às morenas, o que poderia ser um grande risco para as estruturas que iriam implantar ali. Inclusive, nos canais já construídos há trincas em alguns lugares, o que significa que o terreno não é o mais adequado para se apoiar o concreto diretamente. Nas encostas, também, existe muito material solto, rolado do alto dos morros. Apoiar as estruturas em material solto nunca  é uma boa idéia, imagine ainda se acontecer um terremoto (que é bem comum nesse tipo de ambiente)…

O lugar é extremamente ermo mas mesmo assim encontramos civilização: brotam vilarejos minúsculos com menos de 500m2 de área, com casebres pobres sem muita infra-estrutura. No centro destas vilas, há sempre uma praça com uma fonte – que mais parece um narghile.

Andar a pé nessa altitude é extremamente desgastante. Falta fôlego depois de caminhar 100m, como se você tivesse acabado de correr muito rápido.

O lugar onde implementariam a barragem é no canto da Laguna Huascacocha. O terreno é muito suave, parecendo até muito plano para se colocar um barramento. Há ali uma grande quantidade de argila, misturada com os depósitos glaciais das morenas. Não parece ser o lugar mais adequado para uma construção deste porte, mas como dizem os engenheiros, “você pode tentar eliminar o risco, ou conviver com ele”.

Laguna Huascacocha

Após nossa breve inspeção da área fizemos o caminho de volta por trás das montanhas e passamos a vislumbrar uma paisagem totalmente diferente: ao nosso lado, um vale na forma de “V”, indicando que neste caso o relevo foi esculpido pela ação de um rio.

Ao final da tarde chegamos a uma área aberta do vale, em que havia uma pequena cidade "pendurada" na encosta. A região não deixava de ser um lugar ermo e distante de tudo e, mesmo assim, nossa parada para ir ao banheiro foi um albergue!! Realmente, qualquer canto longínquo dos Andes é atração turística, e já sei onde me hospedar quando voltar aqui.

Após o cair da noite entramos em outra rodovia asfaltada. Foi um dos momentos mais tensos da minha vida: a rodovia não tinha iluminação, a sinalização era precária, mal havia uma faixa pintada no chão, era forrada de curvas, sem acostamento, e o que separava o carro de um abismo de provavelmente algumas centenas de metros era um guard-rail torto e enferrujado, mas nada disso afligia o Sr. Omar, que manejava o carro com certa segurança, e raramente deixava o ponteiro do velocímetro ficar abaixo dos 100km/h.

Chegamos a Lima. Terminou-se nossa blitz. Quero um dia voltar aos Andes com um pouco mais de tempo para poder, na próxima vez, apreciar seu povo e sua natureza – com muita atenção, é claro, para a geologia!





National Geologic – Apresentando….

15 01 2010

Olá, meu nome é Talita C. de Oliveira Ferreira, e como vários geólogos, não sabia que esta linda profissão existia até consultar alguns manuais de vestibulandos…

Quando criança, não curtia dinossauros ou vulcões, sempre achei muito perigosos (e ainda acho) mas, sempre gostei de saber das coisas, era a menina das perguntas: mas por que o céu é azul, por que o mar é salgado, será que se cavar um buraco eu chego no Japão??? Mas apesar de tudo isso nunca pensei em ser cientista, muito menos da Terra. Sempre quis ser aeromoça ou dentista (profissão essa até então a escolhida para prestar o vestibular).

A geologia surgiu na minha vida quando eu descobri que para ser dentista era necessário treinar em defuntos, coisa que eu definitivamente não tinha a menor vocação e estomago!!

Quando comecei o curso, a única coisa que eu sabia é que poderia trabalhar na Petrobrás, fora isso, não sabia nada! Com o passar dos anos (eternos 5 anos) descobri uma nova vida e por incrível que pareça descobri que era a vida que eu sempre imaginei para mim: sem frescuras, entendendo um pouco mais como o mundo funcionava, conhecendo pessoas diferentes, lugares diferentes, culturas diferentes, enfim….a geologia!!

Das diversas opções apresentadas no curso, decidi trabalhar com mineração e sei que é exatamente isso o que eu continuar fazendo pelos proximos vários anos!! O que eu gosto mesmo do trabalho direto na mina, experiencia vivida durante o 5º ano da faculdade em um estágio super bacana.Hoje em dia trabalho em uma consultoria e estou conhecendo o outro lado da mineração: a pesquisa, a modelagem geológica, a avaliação de reservas, enfim….todos os passos até transformar aquela rocha no cimento que vai parar na sua parede, o aluminio que vai parar diretamente no seu refrigerante, o ferro do seu carro….tudo muito desafiador e que vale a pena ser compartilhado com todos.





National Geologic #2

12 01 2010

Oi! Meu nome é Ana Paula Burgoa Tanaka e gosto de geologia desde criança, apesar de não ter a consciência, naquele tempo, do que era a geologia. No jardim 1 e 2 estudava numa escola parecida com uma fazendinha então ao invés de olhar os animais e as plantas eu escolhia os seixos, colocava no bolso do uniforme e levava pra casa.

Na hora de escolher o curso fiquei em dúvida entre engenharia de minas e geologia mas ao conhecer profissionais das duas carreiras, me identifiquei mais com o geólogo. Durante a faculdade aprendi sobre a Terra, rochas e sobre as areias (adoro), devido aos inúmeros trabalhos de campo e convivência intensa com os colegas de turma, aprendi também um pouco sobre o relacionamento humano. Vou parafrasear o Bruno: “Mas apenas saber a geologia pareceu muito egoísta”. Então pretendo dar aulas e por isso continuo na área acadêmica, para isso devo terminar o mestrado e fazer o doutorado.

Estudo a evolução sedimentar de alguns setores da costa sul e sudeste do Brasil ao longo do Holoceno (de 10.000 anos até o presente) com experiência na Ilha Comprida (SP) e Laguna (SC). Também curso geofísica e tive uma pequena experiência com um método elétrico (eletrorresistividade) na investigação de estruturas em profundidade.





Bem vindos à (Inter)National Geologic.

10 01 2010

Olá!
Este é um blog que vai tentar explicar geologia para vocês a partir de nossas experiências – das mais diversas -, além de mostrar lugares e pessoas que vocês nunca imaginariam que existissem, pois estão fora de todos os roteiros turísticos!

Meu nome é Bruno Salmoni, “fundador” deste blog – tenho ainda um grupo de amigos que estudaram comigo que vão passar a experiência de cada um em suas áreas para enriquecer tudo o que vocês vão ler aqui.

Vou me apresentar: comecei a me interessar pela geologia meio tarde, embora eu sempre tenha sido fã de tudo que fosse relacionado com dinossauros. Logo que entrei na faculdade não sabia se estava no lugar certo, só que eu ia trabalhar com uma coisa que não fosse presa a um escritório ou ambiente fechado. Mas à medida que fui aprendendo os segredos das rochas, continentes e toda a evolução do planeta, fui descobrindo que era a isso mesmo que eu ia dedicar a minha vida. Mas apenas saber a geologia pareceu muito egoísta. Por isso decidi que queria mexer com algo que eu pudesse usar meus conhecimentos para o bem maior e por isso decidi trabalhar com geologia aplicada à engenharia civil.

Trabalho atualmente como geólogo em um escritório de consultoria para obras civis de diversos portes (desde residências até rodovias, túneis, barragens, etc.). Apesar de trabalhar numa área tão prática, a geologia como ciência é para mim algo fascinante e gostaria de mostrar às pessoas o quão fascinante ela é – afinal é a história do planeta, lugar onde vivemos.

Olá!
Este é um blog que vai tentar explicar geologia para vocês a partir de nossas experiências – das mais diversas -, além de mostrar lugares e pessoas que vocês nunca imaginariam que existissem, pois estão fora de todos os roteiros turísticos!

Meu nome é Bruno Salmoni, “fundador” deste blog – tenho ainda um grupo de amigos que estudaram comigo que vão passar a experiência de cada um em suas áreas para enriquecer tudo o que vocês vão ler aqui.

Vou me apresentar: comecei a me interessar pela geologia meio tarde, embora eu sempre tenha sido fã de tudo que fosse relacionado com dinossauros. Logo que entrei na faculdade não sabia se estava no lugar certo, só que eu ia trabalhar com uma coisa que não fosse presa a um escritório ou ambiente fechado. Mas à medida que fui aprendendo os segredos das rochas, continentes e toda a evolução do planeta, fui descobrindo que era a isso mesmo que eu ia dedicar a minha vida. Mas apenas saber a geologia pareceu muito egoísta. Por isso decidi que queria mexer com algo que eu pudesse usar meus conhecimentos para o bem maior e por isso decidi trabalhar com geologia aplicada à engenharia civil.

Trabalho atualmente como geólogo em um escritório de consultoria para obras civis de diversos portes (desde residências até rodovias, túneis, barragens, etc.). Apesar de trabalhar numa área tão prática, a geologia como ciência é para mim algo fascinante e gostaria de mostrar às pessoas o quão fascinante ela é – afinal é a história do planeta, lugar onde vivemos.








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